
Após uma série de análises, a Corsan Aegea confirmou nesta quarta-feira (15) que a alteração no gosto e no odor da água registrada em municípios do Vale do Paranhana, Vale do Sinos e Região Metropolitana é causada pela proliferação de algas no Rio dos Sinos.
O fenômeno, que teve início em cidades como Taquara e Rolante, avançou para municípios atendidos pela companhia, incluindo Campo Bom, Sapiranga, Estância Velha, Portão, Sapucaia do Sul e, mais recentemente, Esteio.
Em Esteio, moradores relatam gosto de terra, cheiro forte e, em alguns casos, alteração na coloração da água.
Na Rua São Francisco, no bairro Olímpica, a auxiliar administrativa Ana Cristina Camargo, 46 anos, afirma que a água chegou a apresentar aspecto escuro.
— A água tem uma coloração de chá, parece chá de canela. E um gosto bem característico, um gosto ruim de terra, de açude — diz.
As queixas se repetem em diferentes regiões da cidade. No bairro Parque Amador, o morador Jeison Silva afirma que o problema persiste há pelo menos três dias.
— A coloração até melhorou, mas o gosto de terra continua e o cheiro também, que é bem forte — diz.
Segundo a Corsan, a alteração está relacionada à proliferação de cianobactérias, um tipo de alga que se desenvolve em ambientes com alta concentração de nutrientes, como nitrogênio e fósforo, especialmente em períodos de calor e estiagem.
Cidades como Novo Hamburgo e São Leopoldo também registraram reclamações. Nesses municípios, o abastecimento é feito por sistemas próprios — a Comusa e o Semae, respectivamente —, que também identificaram alterações na qualidade da água bruta do Rio dos Sinos. O Semae atribui o problema à floração de algas, enquanto a Comusa ainda realiza análises.
Para investigar a origem do fenômeno, foi criado um grupo de trabalho com participação de Semae, Comusa, Araricá Saneamento, Agesan e Corsan/Aegea. Os resultados devem ser divulgados nos próximos dias.
Alteração na cor
Moradores de Esteio também relataram coloração escura ou amarronzada da água. Conforme a Corsan, esse aspecto não está relacionado ao uso de carvão ativado nem diretamente à presença de algas na água tratada.
A companhia avalia que a alteração pode estar associada à presença de manganês, elemento químico presente na água do rio e que exige tratamento específico.
Medidas e qualidade da água
Para reduzir os efeitos de gosto e odor, as estações de tratamento passaram a utilizar carvão ativado, que atua na remoção das substâncias responsáveis pelas alterações sensoriais.
A Corsan afirma que a água distribuída segue própria para consumo e dentro dos padrões de potabilidade, sem presença de toxinas.
Nos municípios onde o fenômeno começou, como Taquara, Rolante e Campo Bom, o abastecimento já apresenta normalização. Em Esteio, a avaliação da companhia é de que o problema está na fase final.
— Já passou por esses municípios e chegou em Esteio, mas está diminuindo. Estamos na etapa final — afirma o gerente de tratamento de água da Corsan Aegea no Estado, Stiven Lusani.
A tendência é de melhora gradual nos próximos dias. A companhia também monitora o avanço da água em direção ao Guaíba, onde o impacto pode ser menor devido ao maior volume do lago.
O que dizem os serviços de água
O Serviço Municipal de Água e Esgotos (Semae) de São Leopoldo informou que, em função do baixo nível do Rio dos Sinos aliado às altas temperaturas, é comum ocorrer a floração de algas nesta época do ano.
Segundo o órgão, esse fenômeno natural pode provocar alterações de gosto e odor, sem necessariamente representar risco à saúde. O Semae afirma que a água distribuída segue dentro dos padrões de potabilidade e que o sistema utiliza carvão ativado para remover os compostos responsáveis pelas alterações.
Já a Companhia Municipal de Saneamento (Comusa), de Novo Hamburgo, informou que realizou ajustes no sistema de tratamento ao longo dos últimos dias e que, desde o fim de semana, a água já sai das estações sem gosto ou cheiro alterados.
A companhia ressalta que eventuais queixas pontuais podem estar relacionadas à água que ainda permanece nas redes ou nas caixas d’água das residências, antes da renovação completa do sistema.
Diante das reclamações, foi criado um grupo de trabalho formado por Semae (São Leopoldo), Comusa (Novo Hamburgo), Araricá Saneamento, Agesan e Corsan/Aegea. O grupo deve divulgar ainda nesta semana os resultados das análises realizadas no Rio dos Sinos para identificar a possível origem do problema.




