A próxima revolução tecnológica do agronegócio pode estar mais perto do que parece. Com o avanço da inteligência artificial e da digitalização das máquinas agrícolas, a expectativa da indústria é que tratores totalmente autônomos (capazes de funcionar sem operador) passem a fazer parte da rotina das lavouras em um horizonte de menos de cinco anos.
O tema foi discutido no painel “Campo em Debate: Inovação no Agro: tecnologia, inteligência e propósito”, realizado durante a 26ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque. O encontro reuniu representantes da indústria, da formação profissional e produtores rurais.
Para Donário Lopes de Almeida, curador da trilha agro do South Summit Brasil 2026, a transformação já está em curso:
— Trator não é mais ferro. Trator, para mim, hoje, é um computador com rodas.
É o que também percebe Lucas Zanetti, gerente de marketing de produto da Massey Ferguson. Segundo ele, grande parte da tecnologia necessária para esse salto já está presente nas máquinas atuais. Sensores, telemetria, automação e sistemas de piloto automático vêm sendo incorporados aos equipamentos há anos.

Agora, continua Zanetti, o avanço ocorre na capacidade de interpretar os dados gerados no campo. Tratores e colheitadeiras registram informações sobre consumo de combustível, desempenho das operações, aplicação de insumos e produtividade. Esses dados são enviados para plataformas digitais que permitem monitorar a lavoura em tempo real e orientar ajustes de manejo.
O próximo passo, ainda conforme o gerente de marketing da Massey Ferguson, é ampliar o grau de autonomia das máquinas:
— Já temos equipamentos altamente automatizados. O avanço natural é chegar a operações totalmente autônomas, o que deve acontecer em menos de cinco anos.
E a modernização não se limita às grandes fazendas. O produtor rural e influenciador digital Giovani Weber, de Santa Cruz do Sul, contou que a tecnologia também avança nas pequenas propriedades. Ele trabalha em uma área de 11,5 hectares, dos quais oito são destinados à produção de tabaco.
— Às vezes a inovação começa com passos simples. Em 2017 trocamos um trator antigo por um modelo com direção hidráulica e tração. Para nós já foi uma grande evolução — relatou Weber no painel.

Conectividade vira insumo do campo
Para que esse cenário se concretize, porém, a conectividade nas áreas rurais segue sendo um ponto-chave. Donário Lopes de Almeida destacou que a internet passou a ser praticamente um novo insumo da produção agrícola:
— Conectividade hoje é tão importante quanto fertilizante ou semente. Sem ela, muitas tecnologias simplesmente não funcionam no campo.
Segundo ele, soluções de internet via satélite e redes privadas têm ampliado o acesso nas propriedades rurais, acelerando a digitalização do setor.
Profissionais mais qualificados
Com máquinas cada vez mais sofisticadas, cresce também a demanda por profissionais qualificados. O superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Rio Grande do Sul (Senar-RS), Eduardo Condorelli, destacou que o setor enfrenta escassez de operadores preparados para lidar com equipamentos de alta tecnologia.
— No banco de uma máquina moderna não senta um despreparado. Quem se qualifica encontra oportunidades e salários que podem passar de R$ 10 mil no campo — explica o dirigente.
O debate foi uma realização do Grupo RBS, com correalização do South Summit Brasil.



