
O inquérito que investigou o desaparecimento do jovem Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, durante uma trilha no Pico Paraná, foi concluído pela Polícia Civil nesta quinta-feira (8). O delegado Glaison Lima, de Campina Grande do Sul, na região metropolitana de Curitiba, recomendou o arquivamento do caso por entender que não houve crime por parte de Thayane Smith Moraes, de 19 anos, que deixou o amigo para trás no percurso.
"Após diversas investigações, diligências, análises de dados, análises de informações extraídas de telefones celulares da vítima e de pessoas envolvidas, a conclusão que chegamos é que não houve crime. Não houve nenhum tipo de infração penal, inclusive não houve omissão de socorro, de acordo com o que ficou apurado", afirmou o delegado.
Segundo ele, a investigação apontou que Roberto passou mal durante a subida da trilha e não na descida quando desapareceu. "Já na descida ele estaria bem e não teria apresentado nenhum sintoma que precisasse de algum tipo de socorro. Roberto teria ficado para trás e teria pegado uma trilha errada. Por essa razão, ele teria desaparecido", explicou.
Roberto subiu o Pico Paraná, o ponto mais alto do sul do país, no dia 31 de dezembro, acompanhado da amiga, com a intenção de ver o nascer do sol no primeiro dia do ano. Na manhã de 1º de janeiro, eles começaram a descer a montanha.
Em determinado ponto do trajeto, o jovem foi abandonado pela amiga e se perdeu de outros trilheiros, seguindo uma sinalização equivocada, o que o levou para fora da trilha principal.
Após quatro dias desaparecido, e mais de 20 quilômetros percorridos em trechos de mata fechada, Roberto localizou uma fazenda e pediu ajuda. Durante os dias perdidos, ele seguiu o curso do rio e relata ter saltado de uma cachoeira de cerca de 20 metros para sobreviver. O rapaz, que teve alta hospitalar na terça-feira (6), afirma que conheceu Thayane há cerca de dois meses.
— Ela me passou uma confiança, porém, lá em cima ela quebrou legal essa confiança — afirmou Roberto. Ele evitou se estender nas críticas à garota, que foi alvo de ataques nas redes sociais por ter deixado o amigo para trás.
— Eu me vejo magoado, mas não a culpo. Não tenho julgamento, não fico bravo com ela — completou.
A jovem disse que se separou de Roberto na descida por conta da diferença no ritmo (ele estaria mais lento).
— Não abandonei! Eu assumi o meu B.O., assumi o problema todo. Eu assumo que errei de ter deixado ele para trás, quebrei a nossa regra dos trilheiros e montanhistas, de que vai junto e volta junto. Mas eu acompanhei o passo dos corredores e ele veio no ritmo dele — afirmou em entrevista ao Estadão.


