
A escuta atenta, o cuidado com o outro e a sensibilidade que atravessou diferentes formas de expressão marcaram a trajetória da médica psiquiatra Gládis da Cruz Ferreira, que faleceu em 14 de janeiro, aos 93 anos, de causas naturais, em Torres, onde passava o verão.
Formada em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1957, Gládis construiu uma carreira sólida na psiquiatria, especialidade à qual se dedicou por décadas tanto no serviço público quanto na iniciativa privada. Realizou pós-graduação em Psiquiatria em curso coordenado pelos professores David Zimmerman e Paulo Guedes.
Ao longo da vida profissional, atuou em postos de saúde, no Hospital Psiquiátrico São Pedro e em consultório particular, além de exercer funções de chefia. Foi membro efetivo da Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), mantendo participação ativa na comunidade médica.
A paixão pelas telas e pela música
Para além da medicina, cultivou uma relação profunda com as artes. Na pintura, foi aluna do artista Fernando Baril, participou de exposição com temática indígena e frequentou o Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre.
A música também ocupou espaço central em sua vida: integrou corais desde o período em que estudava no Colégio Americano, teve aulas de violão com Darcy Alves e participou de diversos grupos vocais.
Com o Coral Misto 25 de Julho, realizou duas excursões à Europa. Também cantou no Grupo Cantabile e no Coral do Clube de Mães da Vila Assunção, onde participava de saraus desde 1998, mantendo vínculos afetivos e culturais até a maturidade.
Alegria e dedicação à família
Descrita pela família como uma pessoa alegre, generosa e dedicada, Gládis era casada com o médico psiquiatra e músico Antônio Celso. Deixa as filhas Rosane, oftalmologista, e Lisiane, dermatologista, além de três netas, familiares e amigos.
Sua trajetória permanece como referência não apenas no cuidado com a saúde mental, mas também na forma sensível com que transitou entre ciência, arte e convivência humana.
*Com orientação e supervisão de Júlia Endress



