
A irmã do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), foi presa na tarde de quinta-feira (15) após ser identificada por câmeras do Smart Sampa, sistema de monitoramento com reconhecimento facial implantado pela prefeitura.
Considerada foragida da Justiça, Janaina Reis Miron foi abordada por policiais militares em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) na zona sul da capital paulista, após um alerta do sistema indicar a presença de uma pessoa procurada no local.
Segundo a Polícia Militar informou ao jornal O Globo, havia dois mandados de prisão em aberto em nome dela. Um deles se refere a uma condenação por embriaguez ao volante e desacato, relacionada a um episódio ocorrido em outubro de 2022, em uma rodovia de Botucatu, no interior paulista. O outro mandado diz respeito a um caso de lesão corporal, registrado em 2014.
A prisão ocorreu por volta das 15h20min. Após a confirmação da identidade e da validade das ordens judiciais, Janaina foi levada ao 11º Distrito Policial, em Santo Amaro, onde a ocorrência foi registrada.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a prisão "está amparada em mandados judiciais, obedeceu ao rigor da lei e foi executada seguindo os critérios de identificação do Smart Sampa".
Smart Sampa
A prisão envolve justamente o principal programa tecnológico da gestão Ricardo Nunes na área de segurança pública. O Smart Sampa é apresentado pela prefeitura como uma ferramenta de combate à criminalidade e de apoio à localização de foragidos e de pessoas desaparecidas.
O sistema opera com uma rede integrada de câmeras espalhadas pela cidade, capaz de fazer reconhecimento facial e leitura de placas de veículos. Também reúne dados de órgãos municipais e forças de segurança, como Guarda Civil Metropolitana, polícias Civil e Militar, CET e SPTrans.
Segundo a prefeitura paulista, o programa já conta com dezenas de milhares de câmeras, incluindo equipamentos do setor privado integrados ao sistema, e tem como meta ampliar esse número nos próximos anos.
Condenação por embriaguez ao volante
O mandado de prisão relacionado ao episódio de 2022 tem origem em uma abordagem feita por policiais militares durante patrulhamento. Segundo o relato dos agentes, o carro dirigido por Janaina estaria "ziguezagueando" na via, o que motivou a intervenção.
Ainda conforme os depoimentos, ela apresentava sinais de embriaguez, estava sem documentos pessoais e com irregularidades no veículo. A habilitação, segundo a ocorrência, estaria vencida, e o licenciamento do automóvel fora do prazo.
Os policiais também relataram que, ao ser informada de que seria levada para um distrito policial, Janaina teria reagido com xingamentos, ameaças e ofensas verbais.
A PM afirma que ela chegou a dizer que soltaria dois cães da raça pitbull que estavam dentro do carro contra os agentes e que mencionou que o marido seria "capitão da polícia militar", insinuando que poderia prejudicar os envolvidos na abordagem.
Na ocasião, ela se recusou a fazer o teste do bafômetro. Em juízo, Janaina alegou que não estava embriagada, mas sob efeito de medicação.
Mesmo sem exame técnico, como bafômetro ou teste de sangue, a sentença destacou que o crime de embriaguez ao volante pode ser comprovado por outros elementos, como prova testemunhal. Ela foi condenada em julho de 2025 a um ano e três meses de prisão em regime aberto.
Mandado por lesão corporal envolve agressão ao filho
O segundo mandado de prisão se refere a um caso de novembro de 2014, quando Janaina foi acusada de agredir o próprio filho, então com 11 anos. Segundo a denúncia, a criança teria sido atacada com mordidas no braço, puxões de cabelo, batidas da cabeça contra a parede e arremesso de objetos.
A sentença apontou que as agressões teriam ocorrido "sem razão aparente", após o menino voltar da escola. O caso foi registrado depois que ele se trancou no banheiro e telefonou para o pai, que foi ao local acompanhado de policiais.
As lesões foram consideradas de natureza leve e confirmadas por exame de corpo de delito. Ela foi condenada a oito meses de prisão em regime aberto em abril de 2024.
A família da advogada afirmou ao g1 que não tem contato com ela há mais de 15 anos e disse que não pretende comentar a prisão.

