
A Corsan Aegea está investindo R$ 44 milhões em obras destinadas a ampliar e modernizar o sistema de coleta e tratamento do esgoto sanitário de Torres com um objetivo: fazer com que o município seja o primeiro do Litoral Norte a alcançar as metas de universalização de atendimento nas zonas urbanas previstas pela legislação federal.
O novo Marco Legal do Saneamento Básico estipula que todas as cidades brasileiras devem atingir patamares mínimos de 90% da população com esgoto tratado e 99% com abastecimento de água até 2033. Conforme a Corsan, Esteio foi o primeiro município de sua área de concessão a cumprir os índices previstos, ainda no ano passado. Para elevar o nível do serviço na cidade litorânea, está prevista uma combinação de diferentes soluções técnicas inovadoras.
O gerente de Relações Institucionais da concessionária, Luciano Brandão, explica que ainda não é possível anunciar uma data específica prevista para Torres atingir a universalização, mas sustenta que isso deverá ocorrer antes do limite estipulado na lei.
— Até o final deste ano, devemos chegar a 78% (de esgoto coletado e tratado), e a 82% em 2028. Teríamos de chegar aos 90% em 2033, mas será bem antes dessa data — garante Brandão.
Para elevar a abrangência do serviço, há um conjunto de obras em andamento para ampliar e modernizar a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Mampituba e para estender as redes de recolhimento de esgoto na cidade. As melhorias na estação de tratamento incluem iniciativas "inéditas" na região litorânea, conforme a Corsan. Elas incluem a instalação de equipamentos aeradores em "lagoas" de tratamento, que aumentam o nível de oxigênio (leia mais abaixo), e técnicas de desinfecção avançada que totalizam R$ 24 milhões em investimentos.
— Essa adequação, inédita no Litoral Norte, permitirá a modernização do sistema e otimização da operação — afirma a responsável técnica pelas estações de tratamento de esgoto no Litoral Norte, Priscila Baruffi Ribeiro.
O tratamento inclui uma fase chamada de "sistema terciário", que envolve processos físico-químicos destinados a promover uma desinfecção mais avançada da água.
Intervenções devem atender mais 2,5 mil famílias
Uma segunda frente de trabalho envolve a aplicação de R$ 16 milhões para que 2,5 mil famílias tenham acesso à coleta e ao tratamento sanitário nos próximos meses — que vão se somar às 23 mil que já contam com esse serviço. O recurso prevê novas redes de recolhimento e ramais para ligações domiciliares em cinco bairros. Outros R$ 4,5 milhões vêm sendo aplicados em 12 elevatórias de bombeamento para encaminhar o esgoto coletado nas casas para envio à estação de tratamento.
Brandão observa que a ligação de cada domicílio à malha geral deve ser feita pelos próprios moradores. Para estimular que isso seja feito, embora já seja uma obrigação legal, a concessionária vai realizar um trabalho social de esclarecimento.
— Fazemos um trabalhos de responsabilidade social, passando de porta em porta, para falar sobre as questões comerciais, operacionais e ambientais, dando essa informação e envolvendo a comunidade — afirma o gerente de Relações Institucionais da empresa.
Conforme o mais recente relatório do Instituto Trata Brasil, com dados compilados até 2023, 25% dos domicílios em todo o território gaúcho contavam com esgoto tratado. A Corsan informa, porém, que a média nos 317 municípios atendidos pela empresa chega atualmente a 28%. O índice subiu oito pontos percentuais desde que a Aegea assumiu a empresa, em julho de 2023. Até setembro deste ano, foram construídos 740 quilômetros de redes coletoras.
Obras em andamento
Modernização e ampliação da ETE Mampituba
- Já foram instalados 39 aeradores do tipo cachoeira (operam em baixa rotação para incorporar oxigênio à água), flutuando na superfície. A agitação da água e a exposição da superfície ao ar permitem que o oxigênio seja dissolvido no líquido.
- Esse processo, conhecido como aeração, é essencial para ativação de microrganismos que decompõem a matéria orgânica.
- Foram instalados também 20 misturadores submersos, cuja função é assegurar a homogeneidade em toda a coluna de água, ou seja, do topo ao fundo.
- As melhorias na ETE preveem ainda uma nova unidade de desaguamento de lodo de 20 metros cúbicos por hora, sistema de dosagem de produtos químicos, construção de elevatória e novas tubulações, além do emissário final para destinação do efluente tratado. A estação tem capacidade atual de tratar 215 litros por segundo.
Ampliação da rede
- Nos bairros Centenário, São Jorge, Salinas e Engenho Velho, já foram executados 20 quilômetros de extensão de redes, num total de 23,5 planejados. A previsão é de que a etapa de assentamento das tubulações e da construção de ramais, iniciada em junho de 2024, seja concluída ainda neste ano.
- A coordenadora de engenharia da Corsan, Luísa Stürmer, afirma que, no primeiro semestre de 2026, os moradores desses quatro bairros poderão providenciar as ligações das residências ao sistema, após receberem notificação da Companhia.
- Na Vila São João, as obras ocorrem desde junho. Os 31,8 quilômetros de tubulações e sete elevatórias de bombeamento em fase de implementação irão atender 1.478 famílias. A estimativa é de que a população local tenha acesso ao sistema de esgotamento sanitário no final de 2026.





