Uma “cena de horror” no pátio de casa quase terminou em tragédia na residência de Juliana Litran, 37 anos, moradora de Viamão, na Região Metropolitana, após um enxame de abelhas africanizadas atacar a cachorra da família.
Além do animal, os insetos picaram a técnica de enfermagem e o marido dela. O casal precisou de internação médica para se recuperar das mais de 40 ferroadas em cada um.
O vídeo que registra a cena mostra Juliana deixando a casa envolta num lençol para salvar a “caramelo” Maria do Bairro dos ataques. Juliana ouviu o barulho da corrente da cachorra quando saiu para ver o que era e percebeu as abelhas no cão. Ela conseguiu soltar o animal, que acabou fugindo e foi localizado horas depois.
O acidente foi na sexta-feira (26).
A barreira do tecido não foi suficiente para impedir as picadas, obrigando a moradora a se refugiar dentro de casa, debaixo do chuveiro, para escapar dos insetos. Enquanto isso, o marido de Juliana, que não estava em casa, voltava para ajudar.
Na emergência, o casal recebeu injeções de adrenalina e medicação antinflamatória e antialérgica, além de morfina para dor. O marido de Juliana, Salomão Litran, 43 anos, teve choque anafilático — uma reação alérgica gravíssima —, por conta das ferroadas. Já a cachorra teve picadas no focinho, orelhas, olhos e boca. O ataque só não foi pior porque o pelo a protegeu.
A suspeita é de que um gambá tenha mexido no enxame. Outra colmeia de mais de 30 mil abelhas já havia sido retirada do pátio da casa. As abelhas voltaram em setembro, e a família aguardava visita do apicultor em janeiro para a nova retirada.
Passado o trauma, todos passam bem.
— É uma dor sem explicação, uma ardência que queima. É muito horrível. Todo o meu couro cabeludo ardia. Hoje é o primeiro dia que eu consigo falar sem chorar — diz Juliana, ainda impactada pelo ataque.
O que fazer
O apicultor Dirceu Prediger explica que a abelha africana é muito agressiva, podendo as suas ferroadas serem mortais. Ele alerta que a atitude de Juliana para salvar a cachorra, apesar de corajosa, foi arriscada e poderia ter lhe custado a vida.
Sempre que aparecer um enxame, a orientação é para que se chame os bombeiros ou um apicultor para fazer a retirada dos insetos.
— Sessenta abelhas já são suficientes para matar uma pessoa — alerta Prediger.
Como agir
- Não tenha abelhas no quintal.
- Se perceber a presença delas, retire-as o quanto antes com ajuda de um profissional.
- A presença de animais no pátio pode ser fatal, uma vez que a presença atiça o instinto de defesa das abelhas.
- Ao perceber um ataque, refugie-se em local fechado e desligue as luzes.
- As abelhas evitam locais escuros
- No inverno, elas costumam ser menos agressivas.
- Em casa de picadas, procure imediatamente um serviço de saúde.



