A falta de acordo entre o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio Varejista de Uruguaiana e as entidades patronais vai manter freeshops e lojas em geral fechados durante feriados no município da fronteira oeste do Estado.
O impasse surgiu após o vencimento da norma coletiva que regulamentava o trabalho nesses dias. Pela legislação trabalhista, sem convenção vigente, o comércio não pode funcionar. Foi o que ocorreu no feriado de Finados, em 2 de novembro, quando as lojas permaneceram de portas fechadas.
O assessor do sindicato dos comerciários (SINDEC), Robson Jobim, afirmou que a entidade tentou até o último momento uma negociação com os empresários e com o município, mas não houve avanço.
— Tentamos todos os canais possíveis de diálogo, mas infelizmente não obtivemos retorno suficiente para um acordo. A decisão judicial apenas garantiu o que a lei já determina, até que as condições mínimas de trabalho sejam restabelecidas — afirmou.
A ação civil pública movida pelo sindicato garantiu a proibição da abertura das lojas durante o feriado. Entre as reivindicações da categoria estão um vale-refeição de R$ 45 para quem trabalha aos domingos e feriados e um auxílio-creche destinado aos empregados do varejo, especialmente de grandes redes e shoppings.
Com a aproximação do feriado de 15 de novembro, o sindicato alerta que, se não houver acordo até lá, o comércio deverá permanecer fechado novamente.
A Prefeitura de Uruguaiana acompanha à distância a disputa entre empresários e sindicato, com expectativa de que as partes cheguem a um consenso por meio do diálogo contínuo. Segundo o secretário de Governo, Paulo Fossari, a principal preocupação do Executivo é o impacto sobre o emprego e a renda no setor.
— Nossa maior preocupação é com a empregabilidade. O comércio aberto em feriados e domingos representa um incremento importante de vagas temporárias. Se permanecer fechado, podemos ter uma redução significativa, o que afeta não apenas os trabalhadores, mas também a movimentação econômica da cidade — ressaltou Fossari.
Além da questão social, o impasse também preocupa pela possível queda na arrecadação de tributos municipais. Embora a prefeitura não tenha informado uma estimativa exata, Fossari reforça que o desemprego é o ponto mais sensível neste momento.
O Sindilojas de Uruguaiana, procurado pela reportagem, informou que as negociações continuam, mas preferiu não conceder entrevista.

