
Exorcistas assinalam que entre os sinais de possível possessão estão pensamentos obsessivos negativos (ou malignos), insônia, sensação de sufocamento durante o sono, ouvir barulhos inexplicáveis durante a noite e ter desejos de praticar o mal. O difícil, para o sacerdote, é separar essas características das de doenças psíquicas.
O exorcista mais jovem de Porto Alegre alerta que o pior cenário é quando se unem problema psíquico e manifestação maligna. Ou seja, algum tipo de possessão em uma pessoa já com doença emocional. A triagem ocorre mediante eliminação de possibilidades.
Esse sacerdote atende, no momento, o caso de um jovem que jamais estudou outras línguas, mas que começou a se expressar em latim. Foi necessário chamar um tradutor para entender o que ele diz.
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O mesmo padre tratou há pouco uma adolescente da Serra. Os pais estavam preocupados com o comportamento rebelde da jovem. Aí o religioso conversou com a garota, ela rezou, deixou ele dar a benção, expor o escapulário, jogar água benta. Nada se manifestou. Conclusão: não era possessão, era tormento emocional.
Outro caso ocorreu na região de Santa Cruz do Sul. Uma mulher exibia força desmedida, virava os olhos, rosnava, lutava e desmaiava. Sucessivas vezes. Ela também sufocava, como se alguém estivesse lhe apertando o pescoço. Após meses de exorcismo, os sintomas sumiram, conforme o sacerdote.

Nas ocasiões em que a pessoa fica violenta e precisa ser contida, isso é feito pela família, nunca pelo padre.
E como o padre diferencia o que acredita ser possessão e não um surto psíquico? Algumas manifestações podem indicar presença diabólica, segundo a Igreja Católica:
- Blasfemar contra Jesus e seus representantes, cuspir, tentar agredir o padre.
- Identificar o sacerdote em meio ao grupo, mesmo quando ele não está de batina.
- Mandar o padre embora, mesmo que ele não tenha se identificado.
- Fugir do crucifixo.
- Aparentar sensação de queima quando recebe água benta.
- Mostrar força descomunal, mesmo quando a pessoa é pequena.
- Revirar os olhos.
- Vomitar objetos, como pregos.
- Rosnar, emitir rugidos.
- Falar em idiomas que jamais estudou ou conheceu. Mais ainda: se expressar em línguas já extintas, como o latim e o aramaico (o idioma usado por Cristo).
- Mostrar que sabe de segredos e temores mais profundos do sacerdote ou das pessoas presentes na sala. Expor isso em público, ironizar, para machucar.
A Igreja Católica procura escolher como exorcistas pessoas com firmeza moral. Que conheçam os dogmas e os sigam. Aptas a fazer um duelo espiritual com o mal, que atua no mesmo plano, para atormentar as mentes, enfatiza o padre.




