
O Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) confirmou nesta quarta-feira (1º) que não há nenhuma notificação de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas no Estado. Autoridades estão em alerta após confirmações de casos registados no país.
Em São Paulo, cinco pessoas morreram e 22 casos de envenenamento pela substância são investigados. A situação também preocupa em Pernambuco, onde há suspeita entre dois pacientes que morreram e um que perdeu a visão.
Em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, reforçou que ainda não descarta nenhuma linha de investigação no inquérito aberto há dois dias. O órgão analisará se houve erro na manipulação ou contaminação de forma proposital.
— Instauramos esse inquérito considerando, em primeiro lugar, a possível conexão com investigações nossas recentes, em relação à cadeia de combustível e com o possível desvio de metanol, que é um produto lícito para o sistema de combustíveis. E também em razão da interestadualidade. Já falamos na possível ocorrência no Estado de Pernambuco. Não podemos descartar nenhuma hipótese — explicou Rodrigues.
O diretor da PF também comentou a possível ligação dos casos com a atuação do PCC ou outras facções:
— Não posso dizer se essa investigação vai vincular a determinada organização criminosa. Nós vamos com muita parcimônia, muita responsabilidade, mas muito vigor também e firmeza para identificar os autores desse crime.
Também em entrevista à Rádio Gaúcha, a diretora da Divisão Farmacêutica da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), Andréia Kohout, relacionou os casos de intoxicação com bebidas alcoólicas com as operações de combate à fraude nos combustíveis.
— Existe um volume excedente de metanol recluso por conta dessas operações. E o número de intoxicações especificamente por metanol nesses últimos 15 dias aumentou de maneira alarmante — salientou Kohout, mencionando as ocorrências em São Paulo e Pernambuco.
A diretora da instituição ainda explicou que, de forma geral, as falsificações acontecem nas destilarias, que muitas vezes são clandestinas. Essas empresas irregulares não passam pelas certificações legais, nem pela fiscalização dos órgãos competentes que garantem a qualidade dos produtos.
— Acabam produzindo produtos de forma irregular e na hora do repasse para as pessoas e para os estabelecimentos, também repassam de forma irregular, sem nota fiscal, sem comprovação de qualidade. Com tudo isso, você acaba tendo uma ação em cadeia, porque inicia-se na destilaria e vai se perpetuando até o consumidor final — alerta.
Como identificar metanol em bebidas adulteradas
A diretora explica que o consumidor deve ficar atento para o risco por conta da dificuldade de identificar o metanol na bebida, já que é um solvente que pode se misturar bem ao produto. Ela sugere que as pessoas verifiquem se não há nenhum depósito no fundo na garrafa ou copo, além de alterações no cheiro ou no sabor. Outro ponto levantado é a embalagem, principalmente no lacre, que não pode estar rompido.


