
A crise de intoxicação por metanol que atinge os estados de São Paulo e Pernambuco nas últimas semanas está gerando dúvida aos consumidores sobre qual bebida alcólica é seguro consumir. Em entrevista nesta quinta-feira (2) ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, o secretário Nacional do Consumidor, Paulo Henrique Rodrigues Pereira, esclareceu.
De acordo com ele, até o momento, a contaminação com metanol foi registrada apenas em destilados.
— Nesta crise que nós estamos vivendo agora, que é a crise da contaminação do metanol, a gente não tem incidência ainda de que isso tenha acontecido com cervejas e vinhos — afirmou. Ele ainda aproveitou para reforçar que não há casos no Rio Grande do Sul.
Mortes por intoxicação com metanol
Em São Paulo, cinco pessoas morreram e 22 casos de envenenamento pela substância são investigados. A situação também preocupa em Pernambuco, onde há suspeita entre dois pacientes que morreram e um que perdeu a visão.
O que é metanol?
O metanol é um tipo de álcool usado como solvente em processos industriais. Mesmo em pequenas quantidades, a substância é tóxica ao ser humano, podendo causar dores abdominais, cegueira permanente, coma e até a morte. É uma versão mais barata e perigosa do etanol, o álcool resultante da fermentação de frutas e cereais, como no vinho e na cerveja.
O álcool etílico é o único tolerado pelo corpo humano, desde que não seja em quantidades excessivas. Também é o mesmo usado em alguns combustíveis e produtos de limpeza – porém, nesses casos, o etanol é misturado a outras substâncias impróprias para o consumo.
Milhares de casos de intoxicação por metanol são registrados todo ano, conforme levantamento da instituição Médicos sem Fronteiras. A taxa de mortalidade é de 20% a 40%, dependendo da quantidade ingerida, do tempo de resposta e do tratamento administrado.
Produtores clandestinos adicionam metanol para deixar as bebidas mais fortes e aumentar o rendimento a baixo custo. Um dos perigos é que os dois tipos de álcool apresentam gostos parecidos, e os sintomas de envenenamento podem demorar de 12 horas a 24 horas para se manifestarem. Ou seja, é difícil saber, no ato, que a contaminação está acontecendo.
