
Um dos municípios mais atingidos pela enchente de 2024, Cruzeiro do Sul, no Vale do Taquari, tem transformado escombros em infraestrutura. Um projeto utiliza britagem do material de casas destruídas pela cheia na recuperação de estradas rurais no bairro Passo de Estrela.
A área foi totalmente devastada. Sem condições de habitação, precisou ser limpa, gerando um grande volume de resíduos de difícil manejo, misturados a sedimentos e lama.
A iniciativa é da Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), com financiamento do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs).
— É uma ação que une sustentabilidade, mineração, saneamento e resiliência, alinhada ao Plano Rio Grande, que busca a reconstrução sustentável — avalia Marjorie Kauffmann, titular da Sema.
Como é a recuperação

O trabalho começou em maio e será concluído até o final de outubro. Até o momento, cerca de 10 mil toneladas de resíduos foram processadas. O material é utilizado na terraplanagem de estradas rurais e na base de pátios, além de melhorar o acesso a pequenas propriedades e empresas.
Nas áreas de produção leiteira, por exemplo, diversos trechos da rodovia foram recuperados. A intervenção permitiu o acesso a 12 propriedades rurais e quatro localidades isoladas, viabilizando o tráfego de caminhões para a coleta diária de leite.
Até o encerramento do contrato, previsto para o dia 28 de outubro, está estimado o processamento de 15 mil toneladas de material.
O projeto será replicado em Arroio do Meio, também no Vale do Taquari, até o final deste ano.
Passo de Estrela
O bairro Passo de Estrela, em Cruzeiro do Sul, tornou-se um símbolo da devastação no Estado. Somente nesta localidade, mais de 600 casas desapareceram quando o Rio Taquari baixou.
O bairro será reconstruído em novo local, a cerca de três quilômetros do antigo, em área mais alta e totalmente inabitada.
A área atingida pela enchente se tornará um parque memorial, onde não será possível construir novamente. O antigo bairro foi classificado como Área Diretamente Atingida (ADA) e incluído no Mapa Único do Plano Rio Grande como zona de alta suscetibilidade à inundação.




