
Em um ambiente com falta de fontes de financiamento, juro alto e inflação corroendo o orçamento das famílias, reforços recentes no Minha Casa, Minha Vida dão fôlego ao mercado imobiliário do país, além de atingir parcela maior da população.
Apenas no primeiro trimestre do ano, o programa habitacional respondeu por cerca de metade dos lançamentos e das vendas de imóveis residenciais no país — acima dos patamares registrados no mesmo período do ano passado —, segundo dados mais recentes da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Mudanças em regras do programa, como inclusão de uma nova faixa de renda e ampliação das demais, e juro menos agressivo impulsionam esse ramo, segundo especialistas.
Avanço na participação
Das 84.924 unidades lançadas no primeiro trimestre no país, 44.734 (53%) foram via Minha Casa, Minha Vida, segundo levantamento da CBIC. No recorte de vendas, o programa habitacional responde por 47% do total, com 47.800 das 102.485 unidades comercializadas no período.
— O mercado imobiliário passa por períodos de contração e retração, a depender das condições do próprio mercado. Mais recentemente, o limite para financiamento de imóveis padrão Minha Casa, Minha Vida foi ampliado. Então, o crédito referente à aquisição de imóveis populares aumentou e dá um pouco mais de fôlego ao segmento — afirma o coordenador dos Índices de Preços do FGV Ibre, André Braz.
O diretor para assuntos de Habitação de Interesse Social do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), Ricardo Prada, afirma que o movimento verificado no país também se reflete em solo gaúcho. Com vendas ainda aquecidas nos segmentos econômicos, incluindo Minha Casa, Minha Vida, a participação desse segmento dentro do total acaba inflando, segundo o dirigente. Ele afirma que esse ramo tem impulsionado o setor o Estado.
— O funding do Minha Casa, Minha Vida, não vou falar que ele está disponível com facilidade, mas tem verba e uma taxa de juros interessante. Em compensação, do outro lado, além de não ter o funding, quando aparece, vem com taxas fora do que seria interessante até para a captação das empresas. Então, a participação do Minha Casa, Minha Vida vai crescer este ano, mas o aumento maior é na participação de mercado por causa da redução de vendas do médio e alto padrão — explica Prada.
O executivo afirma que esse movimento também altera os lançamentos do setor. Empresas que têm terrenos que podem ser adaptados à faixa de renda média estão realizando esse processo. Já as que não têm locais nessa condição acabam segurando lançamentos.
Vantagens
O Minha Casa, Minha Vida prevê juro mais baixo e condições facilitadas de financiamento à população com renda familiar mensal bruta de até R$ 8,6 mil no âmbito dos programas de habitação popular. Já no segmento de classe média, recém-criado, beneficia grupos familiares com renda de até R$ 12 mil.
As taxas de juro são atrativas da linha, principalmente para famílias de mais baixa renda, variando de 4% a 10% ao ano de acordo com os rendimentos do comprador.
Além disso, prevê subsídio para famílias com renda de até R$ 4,7 mil. O subsídio é um auxílio que visa reduzir o total financiado pelo comprador de renda menor. Por exemplo, se um cliente com renda de até R$ 4,7 mil quer comprar um imóvel de R$ 200 mil e consegue subsídio de R$ 20 mil, o total financiado cai para R$ 180 mil. Além de diminuir o tamanho do crédito, ajuda a conseguir parcelas mais em conta.
Se a família está na faixa de renda entre R$ 2.850 e R$ 4.700, que pega a faixa 2 em Porto Alegre, não tenho a menor dúvida de que a melhor hipótese é adquirir uma unidade do Minha Casa, Minha Vida. Porque ela vai pegar subsídio e juros que vão até 6,5% ao ano. É algo inimaginável na hora que você escuta falar de 15% de Selic, né?
RICARDO PRADA
Diretor para assuntos de Habitação de Interesse Social do Sinduscon-RS
A diretora de Assuntos Habitacionais do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Rio Grande do Sul (Sindimóveis-RS), Simone Carvalho, afirma que, mesmo com restrições de orçamento no mercado imobiliário, as vendas no ramo do Minha Casa, Minha Vida seguem aquecidas. No caso específico do Estado, ela afirma que os programas para garantir residências a moradores afetados pela inundação ajudam a impulsionar os números:
— De qualquer forma, temos imóveis disponíveis. Mas tem de ter mais paciência. A pessoa vai conseguir assinar (contratos de financiamento). Está mais demorado, mas está se assinando. Tá conseguindo comprar, com calma. Demora um pouquinho, mas consegue comprar.
Dicas
Além de taxas abaixo do mercado no geral, que conta com juro partindo dos 10,5% no geral, o Minha Casa, Minha Vida também conta com o atrativo de subsídio para rendas mais baixas, segundo especialistas.
Capacidade de pagamento mensal
O primeiro passo é verificar o valor que você consegue pagar mensalmente. A regra geral é de que a parcela não ultrapasse 30% da renda, segundo especialistas.
Entrada
A entrada é um requisito fundamental e geralmente corresponde de 20% a 30% do valor total do imóvel. Uma das soluções para abater esse valor é usar o saldo FGTS. Em caso de não ter essa possibilidade de amortização, tente acumular uma reserva financeira durante alguns meses. Quanto maior a entrada, menores serão o valor financiado, o juro e as parcelas a serem pagas.
Subsídio
O subsídio é uma grande ajuda, principalmente para famílias com filhos menores, que podem receber um valor maior. Tirar uma fatia do valor total financiado pode trazer parcelas mais em conta, juro menor e diminuir o tempo de endividamento.
Faixas de renda e juro
É importante entender em qual faixa de renda você se encaixa, porque isso vai ter impacto na taxa de juro. Por exemplo, pessoas que se enquadram na faixa 1 beneficiam-se da menor taxa de juro do mercado.
Paciência
O processo de acesso aos financiamentos está mais demorado em razão dos problemas de funding, mas é possível concretizar a compra. É importante ter paciência, segundo especialistas.
Garantia e segurança
A Caixa Econômica Federal atua como garantidor da segurança do projeto no âmbito do Minha Casa, Minha Vida. Se o projeto está contratado na Caixa Econômica, significa que já passou por um crivo de engenharia e de análise jurídica rigorosa, dando mais segurança aos beneficiários.
Fontes: diretora de Assuntos Habitacionais do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Rio Grande do Sul (Sindimóveis-RS), Simone Carvalho e diretor para assuntos de Habitação de Interesse Social do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), Ricardo Prada.
Faixas do Minha Casa Minha Vida
- Faixa 1: renda familiar de até R$ 2.850,00, com subsídio de até 95% do valor do imóvel;
- Faixa 2: renda familiar de R$ 2.850,01 a R$ 4,7 mil, com subsídio de até R$ 55 mil e juro reduzido;
- Faixa 3: renda familiar de R$ 4.700,01 a R$ 8,6 mil, sem subsídios, mas com condições de financiamento facilitadas;
- Faixa 4: renda familiar de R$ 8 mil a R$ 12 mil, com juro de 10,5% ao ano, 420 parcelas e limite de financiamento de até R$ 500 mil, de imóveis novos e usados.
Tetos para valores de imóveis
- Nas Faixas 1 e 2, os limites para valor de imóvel variam de R$ 190 mil a R$ 264 mil reais, dependendo da localidade
- Na faixa 3, o teto do valor do imóvel é fixado em R$ 350 mil
- Na faixa 4, o limite é de R$ 500 mil
Fonte: governo federal




