
As famosas excursões de compras ao Paraguai, sucesso há anos entre os brasileiros, hoje têm distâncias encurtadas por novas possibilidades de destinos. No Rio Grande do Sul, a consolidação dos free shops terrestres têm feito cidades como Uruguaiana e Santana do Livramento se especializarem na receptividade aos consumidores, apostando numa verdadeira economia ligada ao turismo de compras.
Das 33 cidades brasileiras habilitadas para lojas francas em regiões de fronteira, 11 ficam no Rio Grande do Sul. Uruguaiana lidera com o maior número de lojas em operação. São 14 atualmente, com planos para chegar a 16 até o fim do ano. Jaguarão, Barra do Quaraí, Quaraí, Santana do Livramento, São Borja, Itaqui, Porto Mauá e Porto Xavier completam os demais destinos com lojas deste tipo.
Os free shops movimentam desde a economia local até setores de fora relacionados, como o serviço de transportes. Enquanto as excursões particulares ampliam as viagens para os destinos procurados, as empresas que operam rotas rodoviárias regulares focam na maior disponibilidade de horários.
Jorge Stein, gerente comercial da Viação Ouro e Prata, empresa que opera o trecho de Porto Alegre a Santana do Livramento, comenta que Rivera (cidade uruguaia que faz fronteira com o município gaúcho) sempre foi rota requisitada pelo impulso do comércio. Atualmente, contudo, o interesse está maior, sobretudo pelas possibilidades de turismo que se desenvolveram no entorno.
— O movimento é importante neste trecho e a demanda justifica a oferta de transporte, inclusive para bate e volta. Procuramos oferecer uma grade grande, em diversas modalidades de viagem. São cinco horários de partida por dia — cita Stein.
A rota de Porto Alegre a Livramento é uma das principais linhas operadas pela Ouro e Prata e serve de piloto para a implementação de novos serviços, especialmente buscando a melhor experiência do passageiro. Um deles foca no conforto, prevendo poltronas individuais para o deslocamento, que leva em torno de sete horas.
Além das viagens particulares, o apelo das compras é um incremento também para as agências de turismo. João Machado, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens no Estado (Abav-RS), diz que o negócio é oportuno sobretudo para aquelas que organizam excursões fechadas com destino às cidades dos free shops.
— É visível que tem crescido muito e as pessoas cada vez mais buscam essas viagens. O turismo rodoviário às vezes é interpretado como uma viagem “menor”, ou mais popular, mas os ônibus têm mais conforto e as viagens estão cada vez mais focadas na experiência dos passageiros — diz Machado.
Datas especiais e experiências movimentam viagens
Datas comemorativas e períodos de férias tradicionalmente são os momentos que mais aquecem os free shops e as viagens de compras, assim como no comércio geral. Mas não só.
Experiências relacionadas ao turismo, como passeios gastronômicos e visitas a locais históricos despontam como complemento às viagens, não mais limitadas às compras.
— Antes as pessoas só batiam em Livramento e voltavam. Hoje, não. Elas ficam para explorar o turismo local e nisso há toda uma cadeia que vai fomentando no caminho — destaca Machado, da Abav-RS.
Para distâncias mais curtas, também é possível fazer viagens de bate e volta, indo e voltando no mesmo dia, de carro ou de ônibus.
Moradores da capital catarinense Florianópolis, mas com visitas frequentes a Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul, o casal Marga e Luiz Eduardo Ferrão costuma fazer viagens curtas a Jaguarão, na fronteira com o Uruguai, especialmente para compras.
— Viemos comprar perfume e bebidas... vinho, uísque. Mesmo com o dólar a R$ 5,50, ainda é melhor — avalia Marga.
O casal chega a fazer o trecho três vezes ao ano para aproveitar os preços atrativos.
Da Serra para a Campanha, Eva Prates da Silva, 58 anos, aproveita as visitas familiares a Santana do Livramento para fazer compras em Rivera. Na última passada, comprou três jogos de lençol e cobertor por R$ 500.
— Numa cidade maior seria R$ 300 somente o edredom — comparou a turista de Caxias do Sul.

Paulo Pavin, proprietário do Bah Free Shop, com unidades em Uruguaiana, diz que a experiência nas lojas precisa justificar a distância percorrida pelos viajantes. Como a oferta de free shops só cresce, diz, não basta garantir bom preço. Além de apresentar lojas agradáveis, é preciso que o visitante tenha o que fazer nas cidades, por isso a necessidade de um desenvolvimento que se relacione ao turismo.
Distâncias de Porto Alegre a alguns centros de compras no RS
- Jaguarão: 389 quilômetros
- Santana do Livramento: 493 quilômetros
- Chuí: 520 quilômetros
- Uruguaiana: 631 quilômetros





