
O governo do Rio Grande do Sul começou nesta quarta-feira (9) o trabalho em campo de batimetria no Guaíba, em Porto Alegre, para avaliar a profundidade em diferentes áreas e ter elementos técnicos para definir as próximas ações de prevenção a inundações. O monitoramento faz parte do Eixo 2 do programa Desassorear RS do Plano Rio Grande, que tem foco nos maiores rios e um investimento total de quase R$ 46 milhões.
O planejamento começou em 30 de maio, antecipando a etapa de campo, que também foi iniciada na segunda-feira (7), com a batimetria do Rio Taquari. Conforme a secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura do RS (Sema), Marjorie Kauffmann, o processo está sendo executado em vários rios de grande porte ao mesmo tempo para entender se há pontos de acúmulo de sedimentos represando a água.
— Assim que a gente for recebendo esses dados, nós já podemos começar os estudos de modelagem, que são os estudos finais que vão definir a efetividade de se fazer, ou não, a dragagem. Lembrando que o nosso objetivo dessa batimetria é verificar a eficiência para drenagem, que é o que nós estamos tendo problemas aí, principalmente pelo volume de chuvas — explica.
A secretária acredita que, no próximo mês, o Estado já receba resultados preliminares, mas estima que os trabalhos ainda vão levar mais alguns meses, com conclusão prevista até o final do ano.
— Nós queremos finalizar essas avaliações todas agora no segundo semestre deste ano — planeja.
Marjorie explica que cada rio tem uma dinâmica e por isso é necessário avaliar o impacto conforme as condições encontradas nas regiões.
— Os vales, principalmente o Vale do Taquari, têm uma dinâmica de muita velocidade e agressividade. Então a gente precisa ver qual é o impacto de a gente tornar aquele leito mais profundo. É preciso ter cuidado para que a gente não execute uma ação sem o conhecimento técnico e acabe tendo um resultado pior, ou mais agressivo, mais nocivo para aquelas cidades que estão no entorno — salienta.
Na última sexta-feira (4), uma nota técnica elaborada pelo Programa de Gestão Ambiental Portuária do Porto de Porto Alegre e pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) concluiu não haver indícios de que a cheia de 2024 tenha provocado um assoreamento generalizado no Guaíba, em Porto Alegre, ou no Delta do Jacuí. Conforme reportagem de Zero Hora, a análise revelou que muitos trechos do Guaíba sofreram erosão devido à passagem da água em alta velocidade durante a inundação do ano passado. Houve acúmulo de sedimentos em outros pontos, mas que não comprometeram a capacidade do leito de escoar o excesso de chuva.
Como funciona a batimetria
O processo de avaliação dos rios é executado pelo Consórcio STE e Aerogeo, que realiza a batimetria. Na manhã desta quarta-feira, dois integrantes da empresa ocuparam um pequeno barco a motor com os equipamentos (ecobatímetro e GPS), próximo à Usina do Gasômetro. Um avião também será usado nos próximos dias nesta região. Em outras localidades do Estado, haverá acompanhamento de um drone.
O engenheiro civil e sócio da Aerogeo, Milton Dupont, descreve que o procedimento servirá para mostrar a calha de um rio, como se não tivesse tomado pela água. No caso do Guaíba, a cada 200 metros, será feita uma linha, de forma digital.
— O ecobatímetro mede a profundidade da lâmina de água e o GPS fornece a posição e a altitude. Eles integrados fornecem a posição e a cota do fundo do rio. Aqui, a cada dois metros, vamos ter um ponto com cota e coordenada. Isso permite fazer o desenho da calha do rio em toda a sua extensão — explica.



