
Mais uma vez prejudicada pela maré alta, a plataforma de Atlântida, no Litoral Norte, ainda não tem futuro definido. O ciclone extratropical que atingiu o Rio Grande do Sul nesta semana provocou a queda de mais duas partes da estrutura, deixando em pé apenas os 150 metros iniciais do píer.
Entre segunda (28) e terça-feira (29), ruíram os 25 metros finais do espigão, na chegada ao restaurante, e todo o braço norte, com cerca de 80 metros, incluindo o local onde ficava o restaurante. O píer está interditado desde 2023, quando parte da estrutura já havia desabado.
De acordo com a prefeitura de Xangri-Lá, o risco de desabamento dos trechos já havia sido apontado em um laudo técnico emitido pelo Laboratório de Ensaios de Modelos Estruturais (Leme), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em junho deste ano. A parte da plataforma que restou, entretanto, não está condenada.
Conforme o prefeito Celso Barbosa, o município irá contratar uma empresa para avaliar o que pode ser feito nos 150 metros de píer que ainda estão em boas condições. Um termo de referência está sendo elaborado, com solicitação de orçamento para a análise. A intenção da prefeitura é recuperar a estrutura, a partir de uma parceria público-privada.
No início de julho, uma reunião foi realizada com representantes do município, da União, do Ministério Público Federal (MPF) e da Associação dos Usuários da Plataforma Marítima da Atlântida (Asuplama). O encontro foi resultado de negociações que se estendem desde 2023, quando havia sido definido que a prefeitura encaminharia o estudo para avaliar as condições da estrutura.
Segundo o MPF, "cabe ao município informar interesse na aquisição do imóvel ou mesmo viabilidade de reforma" e que "há um impasse quanto à situação, pois a associação não possui capital para reforma ou mesmo demolição".

Obra dos anos 1970
Por ficar no mar, o píer pertenceria, em tese, à União. A Associação dos Usuários da Plataforma Marítima da Atlântida (Asuplama) chegou a tentar adquirir o ponto, mas apenas ficou responsável pela administração do espaço.
— Desde 2016, a gente começou a ser assolado por ressacas assim, de destruir toda a plataforma. Nós estávamos já há cinco anos tentando obter recursos para evitar isso que aconteceu. Infelizmente, a gente não conseguiu — lamenta o presidente da Asuplama, José Luis Rabadan.
Na avaliação de Rabadan, o ponto turístico proporcionou o crescimento de diversos balneários da região. A estimativa é que cerca de 30 mil pessoas visitavam a atração por ano.
— Eu sinto muito mesmo a dor de perder (a plataforma), de ver quantas pessoas perderam emprego, quantas pessoas tinham ali o ganha-pão também, porque pescavam ali também — desabafa Rabadan.
A plataforma de Atlântida foi inaugurada ainda nos anos 1970. A estrutura tinha cerca de 270 metros de espigão, avançando da beira da praia em direção ao mar, e 160 metros que iam para os dois lados, os considerados braços sul e norte.
A prefeitura também afirma que vai reforçar a demarcação da área por conta do perigo de mais entulhos que ficaram no mar.


