
Pela primeira vez após a maior enchente da história da região, o Rio Taquari voltou a superar a cota de inundação nesta quarta-feira (18). Dessa vez o volume é menor do que o registrado em maio de 2024, mas foi o suficiente para causar preocupação nos moradores do Vale do Taquari.
Até as 17h, 22 famílias de Lajeado haviam saído de casa para o ginásio do Parque do Imigrante. O movimento ocorre de forma preventiva. Às 17h45min desta quarta, o nível do Rio Taquari atingiu os 19m47cm.
No entanto, o trauma de sucessivos eventos climáticos, fez com que muitas pessoas buscassem a prefeitura para ir até um abrigo. Para o casal Maristela da Silva e Lindomar da Silva, é a quinta vez que é feita uma mudança por conta de cheias.
— Quando eu vi a chuva cair comecei a chorar. Meu marido estava no serviço trabalhando, me ligou e disse: "vou pra casa, não vou te deixar sozinha" — conta Maristela, que foi para um abrigo público.
Em Cruzeiro do Sul, um dos municípios mais atingidos pela enchente do ano passado, algumas famílias fizeram o mesmo movimento. Segundo a prefeitura, até as 17h30min, 10 famílias haviam deixado suas casas, todas elas do bairro Zwirtez.
Outros municípios não registraram saídas de moradores até a publicação desta matéria. A previsão do Serviço Geológico do Brasil é que o Rio Taquari não ultrapasse a marca dos 21 metros.
"População muito assustada"
Em entrevista à Rádio Gaúcha, a prefeita de Lajeado, Gláucia Schumacher, falou sobre a situação do município:
— Por toda a tragédia que a cidade de Lajeado viveu, estamos com a população muito assustada. Começamos de forma preventiva a retirar famílias — contou.
A prefeita afirma que a água começa a atingir as casas no município quando atinge o nível de 19m80cm, que ainda não foi alcançado. Segundo as projeções da Defesa Civil e da meteorologia, o Rio Taquari deve se estabilizar, com tendência de leve queda. No entanto, a chuva continua nas cabeceiras e há previsão de um novo repique.
Gláucia destacou ainda a importância de um sistema de monitoramento e previsão mais eficiente para lidar com eventos climáticos extremos. Segundo ela, uma tecnologia que permita obter informações mais precisas com antecedência seria uma medida eficaz para garantir maior tranquilidade à população:
— As cidades, em todo o Vale do Taquari, estão sendo reconfiguradas. Estamos trocando a população de local. Mas, mesmo assim, em alguns lugares, nós vamos conviver com enchentes. Mas, se nós tivermos uma previsibilidade, se soubermos que vai acontecer, acredito que vai ficar muito mais fácil de a gente gerir todos esses eventos — afirmou Gláucia.



