
Um navio encalhado desde maio de 2024 em um canal de irrigação no distrito de Passo Raso, em Triunfo, na Região Carbonífera, continua bloqueando o fluxo de água para uma lavoura de arroz de 500 hectares.
A embarcação foi arrastada pela enchente que atingiu o Estado no ano passado enquanto estava em manutenção em um estaleiro e permanece no local desde então.
Com a chuva recente, o nível do Rio Jacuí subiu e o navio voltou a flutuar parcialmente, reacendendo a expectativa de remoção.
Funcionários do estaleiro tentaram rebocar a embarcação ao longo de quinta-feira (26), mas não conseguiram retirá-la. O trabalho foi encerrado no fim da tarde e não há confirmação sobre novas tentativas.
Irrigação comprometida
A situação afeta diretamente os irmãos Edson e Emerson Saccon, que arrendam a terra e cultivam arroz na região. Em outubro de 2024, Edson afirmou que o prejuízo já era de cerca de R$ 4 milhões.
— Perdi muita coisa.
Durante o verão, a irrigação ficou comprometida. Emerson relatou perdas de 8 mil sacas.
— Ano passado a nossa colheita foi prejudicada por causa da gente não conseguir puxar água. Quinze dias sem água numa lavoura de arroz é fatal —afirmou.
Ele também destacou as dificuldades do arrendamento:
— Quando a terra é arrendada, tem uma renda fixa. O dono da lavoura quer a parte dele, independente do lucro — comentou.
Os produtores precisam de água no próximo mês para preparar o solo para o plantio, previsto para setembro e outubro.
— Tem que alagar todos os 500 hectares e fazer uma lâmina plana de água para a semeadura do arroz — explicou Emerson.
Segundo ele, o canal está assoreado e precisa ser limpo com uma máquina especializada, o que só será possível após a retirada da balsa.
A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) foi acionada e encaminhou o caso à Marinha do Brasil, responsável pela segurança da navegação. A Marinha informou que não há risco ambiental e que a remoção da embarcação é responsabilidade do proprietário.
A RBS TV tentou contato com os responsáveis pelo estaleiro e com o dono da embarcação, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.
— É muita informação desencontrada. O que não dá é para continuar mais um ano assim. É complicado para o produtor, sobra sempre pra nós — desabafou — Emerson.




