
A sexta-feira (20) marcou o quarto dia consecutivo de buscas do Corpo de Bombeiros pelo homem de 65 anos que desapareceu após o veículo em que ele estava ser arrastado pelas águas do Arroio Minhoquinha, em Candelária, no Vale do Rio Pardo. O caso aconteceu na terça-feira (17), em decorrência da chuva intensa que atinge o Rio Grande do Sul. A companheira do desaparecido, de 54 anos, foi encontrada sem vida no interior do veículo ainda na terça.
A procura pelo homem, nesta sexta-feira, é realizada com o apoio de duas embarcações. No Arroio Minhoquinha, tradicionalmente raso, o trabalho é feito com um bote a remo, mais fácil de ser transportado a pé sobre os bancos de areia que surgem no trajeto. O nível da água baixou, o que dificulta o uso de motor na região. Já no Rio Pardo, que tem o Arroio Minhoquinha como afluente, as buscas são feitas com auxílio de barco a motor.
Do local onde começou a ser arrastado até o ponto em que encalhou, o carro percorreu uma distância de cerca de 1,8 quilômetro. Em condições normais, o Arroio Minhoquinha tem, na maior parte do seu curso, profundidade que, para um adulto, representa água na altura da canela. Contudo, segundo informações colhidas pelo Corpo de Bombeiros, existem na região pelo menos três poços que podem passar de dois metros de profundidade, usados para banho pela população.
— Queremos descartar até amanhã (sábado) a hipótese de o homem estar no Arroio Minhoquinha. Não fizemos isso ainda porque o nível da água baixa cada vez mais. Estudamos o auxílio de mergulhadores nos poços — diz o capitão Juvenal Schneider, do 6º Batalhão de Bombeiro Militar, sediado em Santa Cruz do Sul.
Mergulhadores já foram acionados em duas ocasiões, no primeiro e terceiro dias de buscas. Se encerrada a procura no córrego, as ações serão concentradas no Rio Pardo.
— O Rio Pardo fica cerca de 600 metros abaixo do local em que o carro foi localizado no Minhoquinha. É provável que o indivíduo tenha descido até o rio. Isso dificulta a busca porque se trata de um leito bem maior. O trabalho vai seguir até que o desaparecido seja encontrado — afirma Schneider.
Na quinta-feira (19), o carro foi removido de dentro do arroio, confirmando definitivamente que o homem não estava no seu interior.

Arroio avançou sobre estrada
Conforme relatos de familiares aos bombeiros, o casal morava há cerca de duas semanas na região, próximo da margem do Arroio Minhoquinha. Eram cerca de 6h30min de terça-feira, ainda sob escuridão, quando eles deixaram a residência, de carro. Logo em seguida, tomaram uma estrada que dá acesso à ponte sobre o córrego.
Metros antes da travessia, o Arroio Minhoquinha tem uma curva em formato de cotovelo, em ângulo de 90 graus. Com o nível elevado, uma coluna d’água deixou de fazer essa conversão e passou reto, tomando a estrada antes de voltar ao leito. Foi assim que, antes da ponte, a água arrastou o veículo em que estavam o homem e a mulher. Não há informação precisa sobre qual era a profundidade do volume de água que invadiu a estrada.



