
Ciclones, enchentes, secas, ondas de calor e incêndios devastadores são apenas alguns — e recentemente enfrentados não somente no Estado mas no mundo — cenários desafiadores à condução dos negócios nos tempos atuais.
Decano da Escola de Negócios da PUCRS, professor afiliado da Lund University, na Suécia, e pesquisador de organizações de alta confiabilidade e resiliência, Éder Henriqson fala sobre os caminhos adotados por empresas que estão no foco dos seus estudos.
Para funcionarem em ambientes de risco e produzir sucessivos ciclos de operação com extrema segurança ou mesmo responder rapidamente a falhas e a incidentes, estas organizações aprenderam ao longo do tempo que é necessário desenvolver capacidades de antecipação, prevenção, enfrentamento e recuperação dos seus serviços.
Desenvolva capacidades para antecipar problemas
É necessário pensar quais os cenários de crise a que o negócio está sujeito. Certamente, serão muitos, mas pode-se priorizar aqueles de maior risco, ou seja, os que têm maior probabilidade de acontecer e que são mais prejudiciais para a continuidade do negócio. A partir daí, é necessário construir mecanismos para monitorar o ambiente, compreender o que se passa e antecipar o que poderá acontecer. Isso permite uma avaliação situacional adequada dos sinais ambíguos e dos problemas já conhecidos.
Aposte em prevenção
Uma vez traçados os cenários, é necessário mapear como as consequências se propagariam e, a partir disso, construir estratégias de prevenção. Elas podem incluir, por exemplo, backups (como geradores para sustentação de energia em sistemas e maquinários críticos) ou mesmo barreiras físicas de contenção do avanço dos problemas (como a água de enchente).
Invista em recursos de enfrentamento
Numa crise, é necessário saber o que se passa e o que fazer. Mas de nada adianta se o tempo for insuficiente e os recursos necessários não existirem ou não puderem ser mobilizados. As organizações de alta confiabilidade aprenderam que a capacidade de enfrentamento é fortemente dependente da disponibilidade de recursos humanos, tecnológicos, financeiros, de tempo e, principalmente, de competências.
Dar atenção à expertise de quem conhece as operações do negócio, suas restrições tecnológicas, legais e operacionais pode ser mais importante do que a posição hierárquica. Líderes devem avaliar e estar dispostos a abdicar das decisões e transitar a autoridade de comando na organização para aqueles que melhor conhecem os desafios do cenário.
Planeje-se para a recuperação
Qualquer organização e negócio funciona com residuais de incertezas e, portanto, riscos. Talvez a única certeza seja de que os eventos inesperados e indesejados podem acontecer. Preparar-se para mitigar as consequências desses eventos e até mesmo recuperar o empreendimento em caso de episódios disruptivos que descontinuam o negócio requer investimentos em capacidade de recuperação.
Isso pode se dar por meio de tecnologias, trabalho em rede, treinamentos e colaboração. Sabidamente, tanto o enfrentamento quanto a recuperação são mais eficazes quando uma organização ou negócio consegue ampliar suas capacidades mobilizando capacidades vizinhas. Ou seja, todos podem e precisam se ajudar.
Faça treinamentos e revisões periódicas e tenha uma estratégia de gestão e comunicação
Conduzir um negócio em crises ocasionadas por impactos inesperados nem sempre é impossível. Mas certamente é um desafio colocar em prática os planos traçados e as ações de enfrentamento e recuperação. Manter a discussão sobre essas questões vivas dentro das organizações é fundamental, bem como instituir mecanismos para a gestão e comunicação da crise (por exemplo, um time de gerenciamento de crises). Empresas que gerenciam bem suas crises constroem melhor reputação junto aos seus públicos e também uma cultura de preparação e resposta ao longo do tempo.
Saiba o que priorizar e fazer após um desastre
Após um impacto causado por desastres climáticos, é essencial priorizar a segurança das pessoas e avaliar cuidadosamente os danos, acionando seguros e buscando apoio financeiro e institucional. Um diagnóstico claro da situação ajuda a reorganizar as finanças e ativar ou improvisar um plano de contingência para manter as operações essenciais. Comunicar-se com transparência com clientes e parceiros preserva a confiança, enquanto a reorganização do modelo de negócio e o treinamento da equipe fortalecem a resiliência futura. Por fim, cuidar da saúde mental de todos e registrar os aprendizados da crise garantem uma recuperação mais sólida e preparada para desafios semelhantes no futuro.


