
Os desastres causados pelas chuvas são tão recorrentes na região serrana do Rio de Janeiro que provocaram duas mortes em diferentes gerações da família de Nadir Eler de Lima. Na quinta-feira (17) a aposentada de 72 anos enterrou sua filha Cecilia Lima Fiorese, 40, uma das vítimas da maior chuva nos últimos 90 anos na cidade de Petrópolis. Em 1971, Nadir havia sepultado sua mãe, Cecilia Eler de Lima, em função de um deslizamento de terra na cidade, também causado pelas chuvas.
Separadas por quase 50 anos, duas mortes causadas pela chuva na mesma família assombram Nadir. — Minha mãe não fala sobre o que aconteceu. É muito doloroso ver que a filha dela morreu da mesma forma que a mãe tinha morrido — diz a irmã de Cecília, a servidora pública Camilla Fiorese, 37.
Cecília, que ganhou o mesmo nome da avó, trabalhava como gerente em uma clínica de Petrópolis. A administradora estava feliz da vida porque tinha conseguido um trabalho em sua área de formação depois de vários anos. Nos últimos meses, com o desemprego trazido pela pandemia, ela foi até motorista de aplicativo. Nesta sexta-feira (18), ela completaria um mês no emprego novo. Estava no auge, segundo os familiares.
Foi o ex-marido, o comerciante Alessandro Dutra, que chegou primeiro ao consultório após o deslizamento. Pegou uma moto emprestada, mas ainda não consegue explicar como passou onde ninguém passava. Mesmo com um cenário de guerra, tinha esperança de encontrar ainda viva a mãe de seu filho, Pedro, seis anos. No entanto, Cecília foi encontrada morta com a perna presa no local. De acordo com a polícia, ela teria subido para o segundo andar do estabelecimento para pegar um café, minutos antes da tragédia.
Na quinta-feira, a família voltou ao local da tragédia para tentar "entender a dinâmica do que aconteceu". Camilla se espantou com a quantidade de lama. — Se ela estivesse na frente da clínica, ela não teria sido atingida — diz Alessandro.
Tentar entender o presente trouxe a dor do passado. Depois de dias de chuva ininterrupta, em 25 de novembro de 1971, um deslizamento de terra na Rua Bernardo de Vasconcelos, no bairro Cascatinha, atingiu em cheio a casa de Cecilia Eler de Lima. Quando saiu no corredor, a mulher então com 55 anos, morreu soterrada. Ela estava sozinha na única casa que foi atingida pelo deslizamento.
Depois da reconstrução da casa, Nadir ainda vive no mesmo endereço. A região não foi prejudicada pelas chuvas desta semana. Os moradores explicam que os temporais costumam atingir pontos diferentes, localizados.




