Os reflexos dos protestos dos caminhoneiros nas rodovias chegaram às Centrais de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa). Segundo o presidente da Ceasa, Ernesto Teixeira, o Estado vive um momento de desabastecimento e a tendência é “caótica”.
Nesta quarta-feira (23), começaram a faltar produtos no setor atacadista, que vêm de fora do Estado. Já o Pavilhão dos Produtores – local onde apenas hortifrútis produzidos no Rio Grande do Sul podem ser comercializados – guardava um estoque considerável de alimentos até terça-feira.
— A tendência é caótica. Falamos da falta de alimentos para hospitais, hotéis e restaurantes e, claro, para a população em geral. Não temos produtos — explica Teixeira, que garante que nenhum caminhão consegue chegar até a Ceasa.
A situação dos setores atacadista e dos produtores deverá piorar ainda mais na quinta-feira (24), dia de maior movimento na central, podendo deixar Porto Alegre e a Região Metropolitana sem alguns produtos.
— Tomate é o nosso carro-chefe. É um produto perecível. Se um caminhão de tomates, por exemplo, ficar parado 12 horas na estrada, não tem mais condições de comercialização. Isso vale para os demais produtos hortifrútis — lamenta o presidente.
Em Caxias do Sul, atacadistas da Ceasa Serra não recebem produtos desde segunda-feira (21). Os caminhões que viriam com hortifrutigranjeiros das regiões sudeste e nordeste pararam em bloqueios ou nem saíram.
A Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) garante que produtos não-perecíveistêm estoque de segurança para até 15 dias na maioria dos estabelecimentos do Estado. No entanto, carnes, laticínios e hortifrútis já começam a faltar em mercados da Fronteira Oeste e da Campanha.
Os caminhoneiros protestam contra sucessivos aumentos no custo do combustível e realizam o terceiro dia de manifestação em rodovias do país.



