
Trabalhadores da Engevix Construções Oceânicas (Ecovix) cruzaram os braços nesta sexta-feira em Rio Grande, em protesto pelos rumores de que a empresa poderá entrar em recuperação judicial e realizar demissões. Logo pela manhã, os cerca de 3,8 mil funcionários da empresa decidiram não começar o expediente antes de obter uma explicação formal sobre a real situação financeira da empresa. Com dívidas acumuladas de R$ 6 bilhões, a Ecovix negocia com a Petrobras alternativas para sobreviver à crise, mas até agora nenhuma medida foi anunciada.
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Chamada pelos trabalhadores para mediar uma conversa com a empresa, a direção do Sindicato dos Metalúrgicos de Rio Grande se reuniu com executivos da construtora. O grupo de seis sindicalistas, contudo, afirma que o diálogo não prosperou. A empresa não confirmou nem desmentiu a possibilidade de entrar em recuperação judicial, tampouco as demissões. Como não havia clima para a retomada das atividades e os executivos temiam depredações, todos os funcionários foram dispensados até segunda-feira.
– É muita incerteza, muitos boatos. Ninguém sabe o que vai acontecer, por isso a insegurança dos trabalhadores. Vamos ter uma nova reunião com a empresa para tentar uma satisfação e na segunda-feira teremos uma assembleia geral da categoria – disse o vice-presidente do sindicato, Sadi Machado.
A situação da Ecovix é preocupante porque a empresa emprega 3,8 mil dos 6 mil trabalhadores do polo naval de Grande e São José do Norte. O complexo de estaleiros acabou de entregar casco para a Petrobras e tem outros dois encomendados, mas é cada vez maior o risco de que o negócio não tenha continuidade. O prefeito de Rio Grande, Alexandre Lindenmeyer (PT)tem buscado soluções junto ao governos federal. na tentativa de reanimar o mercado naval na região. Uma das alternativas em discussão é convencer o Planalto a usar parte dos R$ 9,15 bilhões do Fundo da Marinha Mercante para financiar projetos na região.




