
A construção e publicação de uma grande reportagem, que envolva investigação e maior tempo de dedicação, depende da obstinação dos repórteres e do respaldo das empresas de comunicação, conforme repórteres do Grupo RBS que participaram do segundo painel do evento Em Pauta ZH, que ocorre na manhã desta quarta-feira no Instituto Ling, na Capital.
Humberto Trezzi, repórter especial de Zero Hora, afirmou que o profissional da área não espera receber a ordem do editor ou diretor da empresa para ir atrás de um material de alta relevância, e sim move-se pela própria inquietude. Trezzi relatou a produção de reportagem que envolveu ele e mais dois colegas, Francisco Amorim e Ronaldo Bernardi, para revelar o furto de peças de carros dentro de depósitos do Detran-RS.
– Por 21 dias, nós nos revezávamos para flagrar a atuação de funcionários do Detran. Não é porque gostávamos de passar frio ou calor, mas porque era uma pauta na qual acreditávamos – afirmou Trezzi.
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Após a publicação da matéria, foi aberto um inquérito contra os funcionários, o que, de acordo com o repórter especial, reforçou a utilidade pública do veículo, com a reportagem se antecipando inclusive à apuração pelo poder público. Em outra matéria de Trezzi, foi revelada a venda ilegal de imóveis do Programa Minha Casa Minha Vida.
– Era escandaloso o que estava ocorrendo em cidades como Santa Cruz do Sul, sem fiscalização alguma, e levamos isso ao público – disse Trezzi.
O repórter da RBS TV Jonas Campos afirmou que é fundamental que a empresa encampe o trabalho dos repórteres, impedindo que interesses de terceiros possam derrubar grandes reportagens. Campos falou que uma de suas matérias investigativas, sobre irregularidades por parte de um deputado na Assembleia Legislativa, motivou pressão de outros deputados sobre a direção da empresa, mas a RBS bancou a pauta e levou ao ar a reportagem.
– É importante a empresa acreditar no trabalho do repórter, deixá-lo fora da escala por um ou dois meses para tocar uma investigação, e que esteja blindada de pressões – afirmou.
O repórter da Rádio Gaúcha Cid Martins falou sobre a importância de "espancar" uma pauta, ou seja, verificar se ela de fato pode se tornar uma reportagem de alta relevância, e avaliar o que já foi publicado para ir adiante no tema. Quando houver convicção de que a matéria poderá render, então se valer de recursos como microcâmera e até infiltração, como fez em uma reportagem sobre a atuação de grupos neonazistas.
– É preciso apurar muito o assunto e entrevistar exaustivamente as fontes para conseguir uma boa reportagem – declarou.
Conforme o repórter de ZH Carlos Rollsing, a reportagem especial cada vez mais será o pilar de sobrevivência dos jornais, sob o ponto de vista financeiro, pois é o que os diferencia de rádio, TV, sites e redes sociais, que têm perfil noticioso mais instantâneo e voltado a serviço.
– Para nós, jornalistas, isso é muito bom, pois as empresas de comunicação que quiserem se diferenciar irão investir cada vez mais no jornalismo investigativo, abrindo espaço para grandes reportagens – afirmou.
Rollsing lembrou que as matérias de denúncia têm se ampliado para outros setores além de polícia e política, como o esporte. Uma de suas reportagens denunciou a realização ilegal de torneios de lutas na Capital, na qual se passou por um lutador profissional para denunciar a falta de controle sobre os participantes.
Em Pauta ZH
Para comemorar seus 52 anos, Zero Hora promoveu nesta quarta-feira, no Instituto Ling, em Porto Alegre, edição especial do Em Pauta ZH com o tema O Futuro do Jornalismo. Estiveram no palco repórteres, editores, colunistas e professores, que dividiram experiências e ampliaram a discussão sobre o tema, e, na plateia, leitores e jornalistas do Grupo RBS.
Além da transmissão ao vivo, é possível acompanhar as discussões sobre o papel da imprensa em uma sociedade livre e democrática pelas redes sociais de ZH. O evento de Zero Hora tem apoio de Instituto Ling, UniRitter, NET e Claro.
Veja como foi a cobertura:
ZH nas universidades
Os 25 cursos de Jornalismo do Rio Grande do Sul também fazem parte das comemorações de aniversário. As faculdades receberão o ciclo de palestras que anualmente leva repórteres, editores e colunistas de ZH até as salas de aula. Para compartilhar experiências com os futuros jornalistas, o roteiro inclui 15 cidades. A semana de bate-papo nas universidades ocorrerá de 30 de maio a 2 de junho.




