
A Polícia Federal (PF) deverá indiciar e pedir a prisão preventiva de 20 índios caingangues pela morte - a tiros e pauladas - dos irmãos e agricultores Alcemar Batista de Souza, 41 anos, e Anderson, 26 anos, no final de abril, em Faxinalzinho, pequena cidade agrícola no norte do Rio Grande do Sul. O inquérito policial deverá estar concluído em 30 dias. Entre os indiciados, está o cacique Deoclides de Paula, 44 anos.
- Ainda faltam alguns detalhes para terminar o inquérito policial. Mas, pelo que já temos concluído, vamos indiciar por homicídio e pedir a prisão preventiva de 20 indígenas, entre eles, o cacique - afirmou o delegado federal Mauro Vinicius Soares de Moraes, responsável pela delegacia da PF em Passo Fundo.
O delegado não entrou em detalhes sobre o inquérito policial. Mas afirma que há uma abundância de provas mostrando a culpa dos índios pela morte dos dois agricultores. Na ocasião, os caingangues haviam bloqueado as estradas protestando contra a lentidão do Ministério da Justiça em resolver a disputa agrária de 5,9 mil hectares que estão envolvidos com os colonos da região. Os irmãos foram mortos quando furaram um dos bloqueios. Em maio, a PF prendeu cinco índios pelas mortes, incluindo o cacique. Os indígenas ficaram presos 20 dias e foram soltos pela Justiça Federal para responder o inquérito em liberdade.
Ambiente explosivo
O indiciamento e o pedido de prisão preventiva dos 20 índios deve aumentar o clima de tensão que há entre os agricultores e os caingangues no Rio Grande do Sul. Além do conflito em Faxinalzinho, eles estão envolvidos em outras 30 disputas agrárias espalhadas pelo território gaúcho.
- A Federal não deu o direito de defesa para os nossos companheiros - acusa Luiz Salvador, uma das lideranças dos caingangues.
A posição da liderança caingangue é semelhante à de Roberto Antonio Liebgott, que pertence ao Conselho Indigenista Missionário (CIMI), um braço da igreja católica progressista. Entre os agricultores, o fim do inquérito policial é aguardado com expectativa.
- Acreditamos que o inquérito irá responsabilizar os índios pelo que fizeram, e a Justiça irá puni-los - apostou Jair Dutra Rodrigues, do Sindicato Rural de Passo Fundo e da Associação dos Produtores de Pontão.
O lado pedagógico do resultado do inquérito da PF será o de frear os radicais de ambas as partes.
*Zero Hora
