
As autoridades americanas identificaram, nesta sexta-feira, o policial que atirou e matou um adolescente negro desarmado no último sábado na cidade de Ferguson, no Missouri. O caso provocou uma série de protestos e tumultos de teor racial durante esta semana.
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O chefe de polícia de Ferguson, Thomas Jackson, declarou à imprensa que o nome do agente é Darren Wilson e que ele trabalha na força policial há seis anos. Em declarações à CNN mais cedo, Jackson descreveu Wilson como "um policial fantástico".
A vítima, Michael Brown, de 18 anos, morreu em plena luz do dia de sábado. Surgiram depoimentos conflitantes de testemunhas e policiais sobre a causa de sua morte. A família de Brown e outras pessoas pediram a divulgação do nome do policial, citando a necessidade de transparência em meio às tensões que se seguiram a sua morte.
Na véspera, o presidente Barack Obama havia pedido calma e cautela à polícia depois dos episódios de violência registrados na cidade em função da morte do adolescente negro. O presidente considerou que a polícia tem "a responsabilidade de ser transparente" sobre o que realmente aconteceu no sábado.
Obama advertiu a polícia para o uso excessivo de força
Na quarta-feira, a pequena cidade viveu sua quinta noite de protestos, em um episódio que trouxe novamente à tona o sensível debate sobre racismo nos Estados Unidos.
Obama advertiu a polícia para o "uso excessivo da força contra manifestações pacíficas", mas ressaltou que "não há justificativa" para recorrer à violência contra policiais. Segundo a emissora CNN e outros veículos da imprensa local, policiais do Batalhão de Choque atiraram contra os manifestantes perto de um posto de combustíveis incendiado, onde o grupo havia se reunido. O confronto ocorreu na periferia dessa cidade que fica nos arredores de Saint Louis, a capital do estado.
A polícia também chegou a prender dois jornalistas - Wesley Lowery, repórter de política do jornal The Washington Post, e Ryan Reilly, que trabalha para o Huffington Post - mas ambos foram postos em liberdade sem acusações contra eles.
A medida causou mal-estar e protesto por parte da imprensa americana.
Versões sobre o caso divergem
De acordo com uma testemunha, Brown estava desarmado e caminhava pela rua quando um policial atirou nele, apesar de a vítima estar dominada, com as mãos para o alto. Já a Polícia de St. Louis, capital do Missouri, indica que Brown foi morto depois de ter agredido o policial e ter tentado roubar sua arma.
Em função da situação, o governador do Missouri escolheu o chefe da Polícia Rodoviária Estadual, capitão Ron Johnson, de descendência negra, para liderar as operações em Ferguson a partir de quinta à noite. Nos Estados Unidos, a Polícia Rodoviária é de jurisdição estadual, e não federal.
Johnson é natural dessa cidade e é negro, como pelo menos 14 mil dos 20 mil habitantes. Já a polícia é de maioria branca.
- Cresci aqui, e essa é minha comunidade e minha casa. Significa muito, para mim, romper esse ciclo de violência e reconstruir a confiança - afirmou o capitão.
*AFP


