
A velocidade com que a água sai dos rios Uruguai e do Mel, atravessa ruas e invade casas é uma das coisas que mais impressiona a população de Iraí, acostumada a enfrentar enxurradas todos os anos. A cidade do norte do Estado tem um sexto de seus moradores fora das residências devido à chuva que castiga a região desde segunda-feira.
Os estragos de junho de 2014 estão entre os piores da história do município de 8,1 mil habitantes, que lembram da cheia de 1983 como a mais severa de todos os tempos. O temor é que a atual supere a de três décadas atrás.
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Sargento da Brigada Militar, Gilson Cezar de Almeida se divide entre o auxilio aos moradores e à própria casa, que está com um andar e meio debaixo da água. Apesar de acompanhar a chuva desde o início da semana, foi na quinta-feira que ele viu as moradias da Torres Gonçalves, no Centro, serem tomadas pelo caldo marrom que carrega junto toda a sujeira da rua.
Almeida conta que, dois dias atrás, saiu de casa para o velório de um vizinho. Cerca de uma hora depois, ao retornar, a água já tomava conta do seu porão. Foi aí que começou a mobilização de amigos e parentes para salvar os móveis. A ação que começou ao meio-dia só acabou na madrugada _ a cada hora que passava, o volume atingia níveis mais altos no local em que mora há 15 anos.
_ A gente acompanha a previsão pela prefeitura e pelas rádios, mas não imaginávamos que seria assim _ afirma o sargento.
Mesmo quem consegue recuperar os pertences, enfrenta dificuldades. São móveis empilhados, falta de água e luz, dificuldade para fazer as refeições e tomar banho. O cenário é de destruição: em alguns pontos da cidade, só telhados e copas de árvores são visíveis. O resto, parece rio.
Na noite de sexta-feira, o clima era um pouco mais tranquilo no Centro de Operações da Defesa Civil, que está funcionando na sede do Executivo em um plantão 24 horas. O nível do Rio do Mel havia baixado. Na manhã deste sábado, contudo, era visível a enxurrada atingindo casas antes secas, como a de Tegler Wiltzke, 68 anos. Por volta das 9h30min, a água que havia entrado em seu porão começou a invadir as áreas lateral e dos fundos da construção de alvenaria.
Prontamente, os vizinhos se juntaram e retiraram cama, TV, cômoda e mesa. A sensação da dona de casa era de tristeza misturada à conformidade de quem enfrenta cheias na cidade desde 1965:
_ É muito complicado. A gente cansa da vida.
Uma das coisas que ameniza e conforma Iraí é a solidariedade que tomou conta do município. Tanto dos voluntários que ajudam prefeitura, BM, bombeiros e Defesa Civil, quanto de quem faz as doações, armazenadas e organizadas em um clube.



