
Reunidos no acampamento do Rio dos Índios, em Vicente Dutra, os caciques que comandam acampamentos indígenas e disputam terras com os brancos decidiram que não irão à reunião com o ministro da Justiça na próxima semana. O encontro foi marcado para depois que os índios caingangues mataram a tiros e pauladas os irmãos e agricultores Alcemar, 41 anos, e Anderson de Souza, 26 anos, que tentaram furar um bloqueio na estrada feito pelos indígenas, em Faxinalzinho, cidade agrícola no norte do Estado. Na semana passada, a Polícia Federal (PF) prendeu o cacique Deoclides de Paula e outros quatro índios como suspeitos pelas mortes.
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No documento redigido pelos caciques, que tem 45 linhas, as lideranças dizem que as prisões foram uma traição do governo do Estado e da União e que aconteceram para intimidar os índios. Afirmam que só voltam à mesa de negociação se suas reivindicações forem atendidas. São elas: retirar os agricultores das áreas que já foram reconhecidas como terras indígenas (é o caso de 600 hectares do Rio dos Índios) e mandar um grupo de trabalho da Fundação Nacional do Índio (Funai) para fazer a identificação de outras glebas em disputa. Um dos caciques que assina o documento é Roberto Carlos dos Santos, do Rio dos Índios, uma das lideranças mais respeitadas entre os 10 mil índios envolvidos na luta agrária.
O que representará a decisão dos caciques no atual contexto, no qual há uma disputa ferrenha por terra com agricultores, a maioria pequenos proprietários, só será conhecida durante a próxima semana. No Estado, quem trata da questão é a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). Zero Hora consultou a assessoria de imprensa da SDR, que informou que ainda não havia sido informada. O Ministério da Justiça não retornou as ligações da reportagem.



