Após ter sido impedido de embarcar em um voo para Campinas no aeroporto de Passo Fundo, no norte gaúcho, Guilherme Canthé, 34 anos, garante que vai processar a empresa que administra o local. Na última sexta-feira, o passageiro, que é gestor de contratos de uma multinacional do município, tirou as calças durante a revista obrigatória para passar para a sala de embarque.
Segundo relato de funcionários à polícia, Canthé se recusou a tirar a jaqueta, após ter acusado presença de um objeto metálico, ficou "irritado", ameaçou agredir um funcionário e ficou só de cueca.
A versão do passageiro, no entanto, é de que foi obrigado a passar três vezes pelo detector de metal e, inclusive, submetido ao equipamento manual, chamado de raquete. Conforme ele, a funcionária responsável pelo processo identificou que o problema era o zíper da jaqueta e, mesmo assim, o obrigou a tirá-la.
- Eu disse que a minha calça também tinha um zíper metálico idêntico ao da jaqueta e que, se não podia passar com ela, também não poderia com as calças. Então eu agi ao pé da letra, conforme o que ela mesma disse que era norma da Anac, e fiquei de cueca - afirma Canthé.
Usuário frequente do aeroporto, já que viaja de 15 em 15 dias para sua casa, no Rio Janeiro - que, inclusive, seria o seu destino na sexta-feira, com conexão em Campinas -, o gestor de contratos alega que a "falta de bom senso" dos funcionários é corriqueira e que já havia ameaçado ficar de cueca outras vezes.
- Já passei pela maioria dos aeroportos do país e por locais mais rigorosos que o de Passo Fundo. Não sou contra o rigor ou o cumprimento das normas, muito pelo contrário, sou contra a falta de bom senso. A funcionária viu que era o zíper o problema e, mesmo assim, queria me obrigar a tirar a jaqueta. Ela me expôs ao ridículo - conta Canthé.
Após acionamento da Brigada Militar, o caso foi levado à Polícia Civil. De acordo com o delegado Gilberto Mutti Dumke, foi registrado um boletim de ocorrência e os envolvidos foram ouvidos.
- Cada um deu a sua versão. O funcionário da segurança disse que foi ameaçado pelo funcionário, mas não quis representar contra ele. Já o passageiro disse que foi agredido e quis representar - afirma Dumke.
Segundo ele, como o casos de agressão é considerado de "menor potencial ofensivo", não houve necessidade de abrir inquérito e foi formulado um Termo Circunstanciado. O chamado TC será encaminhado à Justiça, que deve agendar uma audiência de reconciliação.
- É um fato inusitado, mas, criminalmente, não tem gravidade - resume o delegado.
Canthé garante que já consultou uma advogada e que vai processar os envolvidos, pela forma como foi tratado. Ele alega, ainda, que o aeroporto não possui uma sala reservada para casos em que há necessidade de o passageiro tirar a roupa, fato que é determinado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
ZH tentou entrar em contato com a administração do aeroporto nesta segunda-feira, mas não obteve retorno.
O zíper da discórdia
"Agi ao pé da letra", justifica passageiro que ficou de cueca no aeroporto de Passo Fundo
Guilherme Canthé alega que funcionária exigiu que ele tirasse a jaqueta por causa do zíper e que, como a calça também tinha, tirou a peça de baixo
Vanessa Kannenberg / Uruguaiana
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