
As fotografias de Fernanda Gassen mostram pessoas dentro de casas, em parques ou enquadradas em retratos.
Mas, como ela não busca flagrar o cotidiano, cria momentos para registrar personagens e cenários em situações encenadas.
Fernanda é a terceira artista da série que apresentará semanalmente, até setembro, os 10 gaúchos da 9ª Bienal do Mercosul. Nascida em 1982, em São João do Polêsine, no centro do Estado, ela se iniciou no curso de Artes Visuais da UFSM, em Santa Maria. Foi no Ateliê de Desenho que, curiosamente, teve as primeiras experiências com fotografia.
Em sua pesquisa de mestrado no Instituto de Artes (IA) da UFRGS, criou uma série de fotos inspirada na pintura de gênero holandesa do século 17, tradicionalmente voltada ao retrato, à natureza-morta e à paisagem:
- Passei a visitar pessoas e, nas casas delas, montava cenas com seus objetos. Depois incluí as pessoas para executar certas ações que eu entendia como instruções vindas das pinturas.
Palestras para o público
Quando foi selecionada pela Bolsa Iberê Camargo para uma temporada na Argentina, na Universidad Torcuato di Tella, Fernanda seguiu fotografando. Nos três meses que passou em Buenos Aires, em 2012, ela organizou piqueniques coletivos na cidade. O projeto Guia Cidade-Jardim resultou em uma espécie de catalogação de percursos e experiências por parques portenhos e foi incluído na pesquisa de doutorado em Artes Visuais que ela realiza atualmente na UFRGS:
- O piquenique ocorria e, em determinado momento, a gente fazia uma pausa para montar uma composição, desta vez relacionada à pintura impressionista. A fotografia se dava em meio a outro acontecimento.
Além do doutorado e da atividade como professora no Colégio Aplicação da UFRGS, Fernanda atualmente desenvolve o projeto Contra-Método de Análise Fisiognômica. Ela faz retratos de pessoas - que remetem a fotos de ficha policial - e relaciona tais imagens a textos ficcionais seus e a obras de Jorge Luis Borges.
É nesta fase, em que suas fotografias encenadas vêm dando lugar a retratos mais secos, que Fernanda participa da Bienal. Em 15 de junho, ela foi à Ilha das Pedras Brancas, no Guaíba, como parte do Island Session, projeto que, mensalmente, tem levado artistas e convidados ao local que abrigou uma prisão até 1983.
- A proposta do Island Session é fazer uma foto antes do passeio e um trabalho durante, para ser apresentado no site. A ilha tem o peso da arquitetura, do que ainda está lá, é um espaço muito interessante. Há resquícios da cadeia, mas a natureza toma conta da paisagem. É bastante poético para pensar tudo o que aconteceu ali - diz.
A série
> 9 de julho - Fernando Duval (1937, Pelotas)
> 16 de julho - Danilo Christidis (1983, Porto Alegre)
> 22 de julho - Fernanda Gassen (1982, São João do Polêsine)
Até setembro
> Katia Prates (1964, Porto Alegre)
> Leonardo Remor (1987, Ipiranga do Sul)
> Leticia Ramos (1976, Santo Antônio da Patrulha)
> Luiz Roque (1979, Cachoeira do Sul)
> Michel Zózimo (1977, Santa Maria)
> Romy Pocztaruk (1983, Porto Alegre)
> Tiago Rivaldo (1976, Porto Alegre)



