
No ano em que a tecnologia 4G começa a ser implementada em Porto Alegre e a 12 meses da Copa do Mundo, teste feito por ZH chegou a uma conclusão clara: a conexão 3G na Capital ainda é ruim e está abaixo dos níveis considerados razoáveis para navegação na web.
Em 30 das 48 medições realizadas - cada uma das quatro operadoras que atuam na cidade foi testada em 12 bairros (veja o mapa) -, a velocidade média encontrada foi de 400 kilobits por segundo (kbps), enquanto a média nacional é quase quatro vezes superior, 1.128 kbps, conforme a consultoria especializada Teleco. Significa que a essa velocidade torna-se muito difícil a navegação na internet.
Acessar o site de zerohora.com, por exemplo, pode levar quase dois minutos. Realizado entre a manhã e a tarde da última sexta-feira, o teste utilizou sempre o mesmo smartphone. As medições ocorreram em locais abertos em uma das principais ruas dos bairros.
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Para aferir a velocidade, foi utilizado o aplicativo SpeedTest, que analisa tráfego em upload (enviado de dados à rede) e download (quando informações são baixadas da web) . Os resultados vêm à tona enquanto se desenrolam duas CPIs - uma na Assembleia Legislativa e outra na Câmara Municipal da Capital - para avaliar o serviço de telefonia móvel.
Operadoras garantem investir o necessário e pedem flexibilização nas leis. Governo e Anatel afirmam que a principal causa das falhas de conexão é a falta de investimentos. Em meio ao debate, quem paga a conta e sofre com a falta de qualidade é o consumidor.
CONTRAPONTO
O que diz a Vivo
A maior parte dos investimentos de R$ 24,3 bilhões que estão sendo feitos pela Telefônica Vivo no período 2011-2014 destina-se à ampliação da rede da empresa, especialmente da 3G, que já está presente em mais de 3,1 mil municípios do país, mais que a soma das cidades atendidas pelas demais operadoras. A empresa realizou o maior e mais ambicioso programa de inclusão digital do Brasil, por meio da cobertura 3G. O ano passado foi encerrado com mais de 3,1 mil municípios cobertos, o que representa mais de 85% da população brasileira atendida.
O que diz a Oi
A Oi está investindo R$ 287 milhões no Rio Grande do Sul em 2013. Com esse valor, a companhia terá destinado R$ 838 milhões ao Estado, em três anos, para expandir e modernizar a rede de telefonia móvel 2G, 3G e banda larga. No Rio Grande do Sul, a Oi tem cerca de 4,5 milhões de clientes, dos quais, 2,4 milhões na telefonia móvel. Com esses investimentos, a Oi liderou em 2012 e mantém a liderança em 2013 do crescimento de participação de mercado na telefonia móvel no Rio Grande do Sul, de acordo com dados da Anatel.
O que diz a TIM
A TIM informa que não identificou falhas de rede nos dias e nos bairros citados no teste realizado por Zero Hora e reitera que inúmeros fatores podem influenciar o desempenho da rede celular. Com base no formato do levantamento feito por ZH, a operadora irá refazer os testes para verificar onde há necessidade de aprimorar os serviços. A TIM adianta que Porto alegre está entre as cidades contempladas com o total de investimentos previstos para o Brasil no triênio 2013/2015, que soma R$ 10,5 bilhões.
O que diz a Claro
Até a noite de ontem, a Claro não havia respondido aos pedidos de entrevista de Zero Hora, feitos por telefone e por e-mail à assessoria de imprensa da empresa.
ENTREVISTA
- Cláudio Janta, vereador e presidente da CPI da Telefonia na Câmara de Vereadores da Capital
Zero Hora - Qual sua avaliação sobre a qualidade da conexão 3G no Brasil?
Cláudio Janta - É ruim. O brasileiro não consegue acessar as redes 3G e acaba tendo que buscar (conexão) Wi-Fi via rede pública.
ZH - Quais são os principais obstáculos para termos um serviço de alto padrão?
Janta - A falta de investimento por parte das operadoras e a legislação, que é antiga. Precisamos unir esforços para que esse produto seja de qualidade. São necessárias mudanças por parte das operadoras e por parte do governo.
ZH - Teste feito por ZH constatou que a conexão 3G funciona com dificuldade na Capital. Porto Alegre está preparada para o 4G?
Janta - O momento é bom, mas é preciso que as operadoras invistam. Se as companhias prometerem alta velocidade, precisam entregar esse serviço ao consumidor.
ENTREVISTA
- Eduardo Levy, presidente do Sinditelebrasil, o sindicato das operadoras
Zero Hora - Qual sua avaliação sobre a qualidade da conexão 3G no Brasil?
Eduardo Levy - Onde há cobertura, o tráfego de dados é bom. O problema não é a qualidade, mas sim a área de cobertura.
ZH - Quais são os principais obstáculos para termos um serviço de alto padrão?
Levy - O primeiro e maior obstáculo é a dificuldade para instalar antenas imposta pela legislação. Telefone celular só funciona com antena. Não falta investimento por parte das operadoras.
ZH - Teste feito por ZH constatou que o serviço 3G funciona com dificuldade na Capital. Porto Alegre está preparada para o 4G?
Levy - O serviço 4G está sendo implementado por uma obrigação firmada no leilão da Anatel. É bom para o Brasil que o 4G seja implementado. Os usuários que utilizam mais dados vão acabar migrando para a nova tecnologia, desafogando as redes 3G.




