
O jovem que confessou ter matado seis taxistas na Fronteira e na Capital cresceu em uma família que fez do táxi seu ganha-pão. O avô que criou Luan Barcelos da Silva exerceu a profissão por mais de 30 anos em Santana do Livramento, assim como seu tio-avô.
Todos moram no bairro Cohab Armour e estão em choque pela revelação de que o universitário conhecido até então pelo perfil alegre e festeiro admitiu ser o responsável pela série de assassinatos que intrigou o Estado.
- Eu não acredito. Para mim foi armação - inconforma-se a avó, Maria, apesar de todas as evidências mostradas pela polícia confirmarem a autoria, como impressões digitais, imagens em vídeos e a própria confissão.
Andar de táxi era um hábito familiar. Como seu avô, Ambrósio da Silva, parou de exercer a profissão há cerca de oito anos, após sofrer um AVC, um dos que o conduzia era o vizinho Getulio Rodrigues, 67 anos. Além de morar próximo à casa de Luan, Getulio foi colega do avô do jovem no ponto de táxi na esquina do Palácio do Comércio, no centro da cidade, por cerca de quatro anos. Também trabalhou com um tio-avô de Luan, que era taxista no ponto do parque Internacional.
- Eu vi esse guri crescer, ele se dava muito bem com todos. Levei ele umas três ou quatro vezes para a rodoviária, a avó chamava o táxi - lembra Getulio.
Parece impossível para quem conviveu com ele acreditar que o menino que sempre "teve de tudo do bom e do melhor", como descreve uma amiga da família, Kelen Vargas, 33 anos, se revelou um serial killer, ainda mais alegando motivações financeiras. Entregue pela mãe à família paterna ainda bebê, Luan foi criado pelos avós. Era tão cercado de mimos que ganhou seu primeiro carro antes mesmo de ter idade para dirigir. As corridas que fazia com o seu Chevette acabaram provocando autuação pela polícia por conduzir sem habilitação aos 17 anos. Filho de um mecânico de motos, com quem teria uma relação tumultuada, o estudante que se mudou para Porto Alegre há pouco mais de dois anos para cursar a universidade também adorava correr sobre duas rodas.
É descrito por familiares e vizinhos como um jovem falante e bem-educado, mas nem sempre era tranquilo. Além de ter sido expulso por mau comportamento do Exército, onde atuou como soldado por cerca de três anos, tinha fama de briguento entre frequentadores de baladas.
- Ele bebia e sempre puxava briga no fim das festas. Se alguém olhava meio torto, ele já brigava. Uma vez, eu vi ele brigando e, mesmo apanhando, ele voltava para a briga - contou um jovem conhecido de Luan, que prefere não ser identificado.
Mas, até então, todo mundo imaginava que era apenas um impulso típico da juventude. Nada despertava qualquer suspeita. No Facebook, seu perfil que exibe uma foto sorridente, era seguido por 454 pessoas. Além de cursar Gestão Imobiliária na Ulbra, trabalhou vendendo imóveis até dezembro passado. Há uma semana, havia começado a dar aulas de informática para crianças.
- Só ele pode dizer o que passou na cabeça dele - consterna-se um amigo da família, que, ao saber da notícia fatídica, foi de Quaraí a Santana do Livramento para prestar solidariedade aos avós, mesmo sem saber ainda o que dizer.
FOTO: Reprodução Facebook
Luan Barcelos da Silva, 21 anos, assassino confesso de seis taxistas - três em Santana do Livramento e três em Porto Alegre - mantém um perfil no Facebook.
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O jovem se apresenta como de Santana do Livramento, morador de Porto Alegre, sinalizando as duas cidades em mapas na página da rede social. Luan informa que estudou o curso de Gestão Imobiliária na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra).
Na única foto pública de seu perfil, de uma estrada, ele escreveu em agosto de 2012:
"Nós semo loco lá da fronteira
De raça tranqüila, mas de pouca cincha!"
Em GRÁFICO, veja o passo o passo de como foram os assassinatos dos motoristas em Santana do Livramento e Porto Alegre:
VÍDEOS:
Imagens divulgadas pela polícia mostram suspeito entrando em táxi de Porto Alegre na noite em que motoristas foram mortos:
Após crimes, taxistas passaram a conviver com o medo e a violência:


