
Após uma operação de duas horas, que contou com o apoio decisivo de uma força-tarefa de montanhistas gaúchos, o corpo do adolescente Sidharta Torves Arderius, 16 anos, foi retirado do cânion Monte Negro, em São José dos Ausentes, nos Campos de Cima da Serra, nesta terça-feira.
Ele estava desaparecido desde o domingo, quando foi visto pela última vez na área onde acampava com o pai e um amigo. A hipótese mais provável é de que o rapaz tenha se perdido em meio a uma forte neblina e caído 130 metros.
A angústia da família sobre o paradeiro do adolescente, que já durava quase 50 horas, se transformou em luto pouco antes das 15h, quando o corpo de Sidharta foi avistado no paredão íngreme do cânion por um dos montanhistas que se dirigiram ao local para ajudar o Corpo de Bombeiros nas buscas. O adolescente, a mãe e o padrasto eram adeptos do montanhismo (prática de subir montanhas por caminhadas ou escaladas). Em razão disso, praticantes do esporte de Caxias do Sul, Gravataí e Porto Alegre se mobilizaram pela internet para prestar auxílio.
Das cerca de 20 pessoas que atuaram no resgate do corpo, perto de uma dezena eram montanhistas. Juntamente com bombeiros de Vacaria, Gramado, Canela e Caxias, deslocaram o corpo para uma área com menos árvores e começaram a içá-lo por meio de cordas. Três montanhistas e um bombeiro desceram até o local onde o adolescente se encontrava. Outro socorrista ficou pendurado pelo meio do caminho, e o restante da equipe permaneceu na borda do cânion puxando o corpo.
- Eu conhecia esse guri desde pequenininho, ele adorava estar no meio da natureza - lamentou Paulo Reis, 40 anos, amigo da família e membro da Associação de Montanhismo de Caxias do Sul.
Desesperados em busca de informações sobre o paradeiro do adolescente, familiares de Sidharta começaram a percorrer o fundo do cânion na véspera. Por conta própria, o pai, a mãe e o padrasto passaram a noite na região. Eles foram encontrados por bombeiros no meio da tarde de ontem, quase ao mesmo tempo em que o corpo do jovem era localizado, e convencidos a abandonar o percurso devido aos riscos. Eles deixaram o local.
Do lado de cima do cânion, o tio Renê Arderius acompanhou o trabalho da equipe de resgate. Quando o corpo começou a ser erguido, se ajoelhou no chão, visivelmente emocionado.
- Ele era um guri tranquilo, mas que gostava de aventura, como todos na família. Ele e o pai estavam felizes que iam passar este tempo juntos e depois ir para a praia.
Além dos bombeiros e montanhistas, o avião Ximango da Brigada Militar e um helicóptero de resgate de Santa Catarina chegaram a sobrevoar o local. A constatação da morte do adolescente abateu as equipes de socorro.
- Nós estávamos acreditando até o último momento - lamentou o sargento do Corpo de Bombeiros Edson Bitencourt.
Sidharta desapareceu quando o pai, Eduardo Arderius Soares, 35, e um amigo descansavam pouco antes das 13h30min de domingo. Eles acampavam a cerca de 500 metros da borda do cânion e nas proximidades do Pico Monte Negro, o ponto mais alto do Estado. A hipótese considerada mais provável é que o adolescente tenha saído sozinho para fazer um passeio e, em meio à forte neblina, tenha se perdido e caído.
