
Eventos climáticos extremos tem se tornado cada vez mais frequentes na rotina dos gaúchos. Entre secas prolongadas, temporais severos e enchentes históricas, o Rio Grande do Sul tem vivenciado uma recorrência de fenômenos climáticos que desafia infraestrutura, serviços essenciais e a capacidade de adaptação das cidades.
Os serviços essenciais básicos, ou seja, as atividades indispensáveis para garantir a sobrevivência, a segurança, a saúde e o funcionamento básico da sociedade em qualquer circunstância, são: energia elétrica e gás, água e saneamento básico, transporte coletivo, policiamento, atendimento médico e coleta de resíduos sólidos. Em especial a estrutura e a distribuição de energia elétrica, que influencia o funcionamento das outras atividades, é pauta frequente em conversas sobre a temática.
A melhoria na qualidade do serviço é o resultado de uma transformação estrutural da rede elétrica, construída com obras, investimento e modernização contínua. Segundo a CEEE Equatorial, responsável pela distribuição de energia elétrica em 72 municípios do Rio Grande do Sul, a empresa já investiu mais de R$ 3,8 bilhões desde 2021. O montante está viabilizando a modernização, automação e ampliação da rede.
Entre as estratégias adotadas pelo setor estão a instalação de redes inteligentes, com tecnologia de monitoramento avançada, automação de religadores, reforço estrutural de postes e subestações, manejo preventivo da vegetação e ampliação da capacidade de resposta das equipes de campo.
A mudança no atendimento é nítida para Kelli Cristina Prado, presidente da Associação Clube de Mães Nove de Maio. Segundo ela, antes da atuação da CEEE Equatorial, os “apagões” eram mais frequentes e o concerto, mais lento.
— Quando falta luz, eu chamo o 0800, que é bem mais rápido. Em seguida o pessoal vem e arruma. Conversar direto com o pessoal faz muita diferença. Aqui a gente tem muito idoso que precisa da energia elétrica, principalmente por guardar remédios — conta.
A mudança só foi possível porque a CEEE Equatorial implantou mais de 125 mil postes, inspeção de mais de 71 mil quilômetros de rede, e realizou mais de 190 mil podas e 143 mil correções de defeitos no período de cinco anos. Segundo a empresa, a frequência das interrupções de energia (FEC) caiu mais de 60%.
No Centro de Operações Integrada (COI) da CEEE Equatorial, a equipe monitora durante todas as horas do dia, nos sete dias da semana, as necessidades de atuação por emergência ou por prevenção.
— O COI é como se fosse o coração de um corpo. Ele é o centro que controla toda a supervisão do sistema elétrico. Então eu consigo monitorar as chamadas dos clientes, as faltas de energia através de todos os nossos equipamentos, o monitoramento das equipes em campo. Então, decidimos qual atividade tem que ser a primeira, em que momento, com qual equipamento? A gente conta com milhares de equipamentos automatizados que a todo momento eles enviam informações em tempo real — explica Natã Giampietro, gerente de operações da CEEE Equatorial.
Investimentos que modernizam a rede elétrica
A energia de qualidade é construída diariamente com obras, investimento e avanço contínuo. Mesmo sem emergências, as equipes seguem atuando nas ruas com trabalho estruturante e preventivo. Na região metropolitana da Capital, R$ 790 milhões foram investidos em 1.650 km de redes novas e 670 religadores, ampliando capacidade e reduzindo falhas.
Já na região sul do Estado, foram investidos R$ 335 milhões, com 1.050 km de redes e 635 religadores, reforçando a estabilidade do fornecimento.
No Litoral Norte, com R$ 295 milhões em investimentos, foram implementadas 680 km de redes novas e 490 religadores, acompanhando o crescimento populacional e a demanda sazonal.
No Centro-Sul com R$ 265 milhões, 630 km de redes e 340 religadores, fortalecendo a infraestrutura e a confiabilidade do sistema. E, na região da Campanha, R$ 125 milhões investidos e 310 km de redes, ampliando cobertura e garantindo mais segurança no fornecimento.
O gerente de operações da CEEE Equatorial ressalta que os impactos da enchente de 2024 serviram de aprendizado para aprimorar os planos de contingência, especialmente em pontos críticos como telecomunicações, deslocamento de equipes e recomposição gradual do sistema. Segundo ele, cada crise superada ajuda a companhia a revisar processos, reforçar estruturas e melhorar a experiência do cliente em situações de emergência.
— Foi uma crise superada. A gente consegue trazer ganhos, consegue trazer aprendizados para a gente cada vez mais melhorar a experiência do cliente — afirma Natã Giampietro.


