
Em 1626, o padre Roque Gonzales fundava, em solo gaúcho, a primeira redução jesuítica: São Nicolau do Piratini. Foram os jesuítas, inclusive, os primeiros a percorrer e organizar a extensa área que hoje corresponde à Região das Missões. Quase quatro séculos depois, esse mesmo território reúne 27 municípios articulados em torno de uma agenda comum. À frente desse processo está a Associação dos Municípios das Missões (AMM).
– Nosso trabalho está voltado a potencializar as vocações da região, especialmente nas áreas de turismo, cultura, agricultura e desenvolvimento econômico e social, consolidando a identidade missioneira como um ativo estratégico para o crescimento sustentável – salienta o presidente da Associação dos Municípios das Missões (AMM), João Alberto Aquino Gomes.
Um pouco de história
A história missioneira tem origem no século 17, com a chegada dos jesuítas ao território então sob domínio espanhol. São Nicolau do Piratini marcou o início de um modelo de organização social que reunia povos indígenas guaranis em comunidades estruturadas, baseadas na produção coletiva, na prática religiosa e na organização comunitária.
Nas décadas seguintes, novas reduções foram implantadas, formando um sistema que chegou a reunir 18 núcleos. Esse processo foi interrompido pelas investidas bandeirantes entre 1636 e 1638, que resultaram na destruição dessas primeiras experiências.
A reorganização ocorreu a partir de 1682, com a formação dos Sete Povos das Missões: São Nicolau, São Borja, São Luiz Gonzaga, São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São João Batista e Santo Ângelo Custódio. As reduções se consolidaram como centros de desenvolvimento econômico, cultural e artístico, com estrutura própria de governança até a segunda metade do século 18.
O declínio começou após o Tratado de Madrid, em 1750, que redefiniu as fronteiras entre Portugal e Espanha e desencadeou a Guerra Guaranítica (1752–1756). O conflito, somado à expulsão dos jesuítas em 1769, marcou o fim definitivo das reduções no Rio Grande do Sul.
O legado desse período, contudo, permanece presente no território, especialmente nas ruínas históricas que testemunham a complexidade e a relevância da experiência missioneira na formação regional – uma herança que se projeta nos 27 municípios que compõem a área.
O papel da AMM
A atuação da AMM se baseia na articulação permanente entre os municípios da Região das Missões, com foco na construção de agendas comuns e no fortalecimento da governança local. Assembleias, reuniões técnicas e grupos de trabalho por áreas de gestão sustentam esse processo, estimulando a cooperação, o intercâmbio de experiências e a adoção de soluções conjuntas.
– Nosso papel é garantir alinhamento estratégico entre os municípios, respeitando as particularidades locais, mas avançando com objetivos comuns. É essa construção coletiva que permite dar escala às iniciativas e fortalecer a região – afirma Gomes.
O turismo é uma das principais frentes dessa atuação. Em parceria com a Fundação dos Municípios das Missões (Funmissões), por meio do Departamento de Turismo (DETUR), a entidade coordena ações voltadas à consolidação da Rota Turística das Missões. Entre as iniciativas, estão a qualificação das cidades para inserção em programas nacionais, a promoção em feiras e eventos, o apoio a agendas regionais e o desenvolvimento de roteiros integrados, com foco na ampliação do fluxo de visitantes e no aumento do tempo de permanência na região.
Em 2026, esse movimento ganha ainda mais força com a celebração dos 400 anos das Missões Jesuíticas Guaranis, que orienta o planejamento da entidade e impulsiona uma programação conjunta entre os municípios. O marco também amplia a visibilidade da região e favorece a captação de recursos para projetos estruturantes.
– A Região das Missões se projeta como um destino de referência nacional e internacional, reconhecido por sua história e seu potencial turístico. A AMM seguirá atuando na articulação política, na construção de políticas públicas e na atração de investimentos, com foco em infraestrutura e desenvolvimento sustentável para todo o território – conclui Gomes.


