Vale do Sinos 

Com direito a test drive, concessionária revitaliza e revende DKWs semelhantes a zero-quilômetro

Veículo foi primeiro carro fabricado no Brasil, em 1956, e tem milhares de fãs no país

Fernando e o filho Matheus unem a paixão pelo DKW aos negócios
Lauro Alves / Agencia RBS
Fernando e o filho Matheus unem a paixão pelo DKW aos negócios
Relíquias são recuperadas na oficina e saem como novas
Lauro Alves / Agencia RBS
Relíquias são recuperadas na oficina e saem como novas
Revenda e oficina, o local produz peças a partir de matrizes originais
Lauro Alves / Agencia RBS
Revenda e oficina, o local produz peças a partir de matrizes originais
Fernando Jaeger cuida de todos os detalhes
Lauro Alves / Agencia RBS
Fernando Jaeger cuida de todos os detalhes
Detalhe de um dos modelos
Lauro Alves / Agencia RBS
Detalhe de um dos modelos
Detalhe de um dos modelos
Lauro Alves / Agencia RBS
Detalhe de um dos modelos
Detalhe de um dos modelos
Lauro Alves / Agencia RBS
Detalhe de um dos modelos
Detalhe de um dos modelos
Lauro Alves / Agencia RBS
Detalhe de um dos modelos
Bielas, rolamentos, borrachas de suporte e diversos componentes deixam os veículos como novos
Lauro Alves / Agencia RBS
Bielas, rolamentos, borrachas de suporte e diversos componentes deixam os veículos como novos
Detalhe de um dos modelos
Lauro Alves / Agencia RBS
Detalhe de um dos modelos
Detalhe de um dos modelos
Lauro Alves / Agencia RBS
Detalhe de um dos modelos
Detalhe de um dos modelos
Lauro Alves / Agencia RBS
Detalhe de um dos modelos
Detalhe de um dos modelos
Lauro Alves / Agencia RBS
Detalhe de um dos modelos

Fernando Jaeger, 69 anos, passeia em meio aos 15 veículos DKW que mantém em sua loja, na via lateral da BR-116, em São Leopoldo, no Vale do Sinos. Chega a um modelo Vemaguet, abre o capô e identifica o carburador sem proteção. 

— Filho, não vai colocar uma tampinha aqui? — questiona para um dos mecânicos. 

Um único parafuso que caia no carburador poderia danificar o motor, justifica, sobre o leve puxão de orelha. 

— Ele é sempre assim, cuidadoso — afirma o mecânico Cristiano Hoerlle, 29 anos.  

A exigência do empresário se justifica: a Dekabras é uma concessionária especializada em revitalizar o automóvel, primeiro carro fabricado no Brasil, em 1956, como publicou o colunista de GZH Leandro Staudt. O pioneirismo no país suscita discussões. No mesmo ano, também foi iniciada a montagem da Romi-Isetta, porém elas foram consideradas mais próximas de um triciclo, por terem capacidade para somente duas pessoas, apenas uma porta frontal e um eixo traseiro bem mais estreito.

O showroom fica na Avenida Senador Salgado Filho, próximo do acesso à RS-240, no bairro Scharlau. Da rua, a vitrine chama atenção, com relíquias recuperadas ao lado de outras não tão novas. Se somadas mais DKWs guardadas em um segundo prédio, o total quase dobra. Na pandemia, o trabalho de restauro aumentou 60%, estima, pois antigomobilistas de inúmeros Estados o procuraram, argumentando estarem com tempo livre para dedicar a suas máquinas.

Revenda e oficina, o local produz peças a partir de matrizes originais — a fábrica Vemag deixou de operar em 1967. Bielas, rolamentos, borrachas de suporte e diversos componentes estão entre os cerca de 400 moldes forjados para deixar os veículos como novos. O painel marca, inclusive, a quilometragem a partir do zero. O custo para se ter um automóvel desses, com cheirinho de concessionária, pode alcançar R$ 70 mil, diz o proprietário: 

— É muito dinheiro pra alguns, mas para quem é um colecionador, a paixão é maior. 

Jaeger abriu a empresa em 2010. Garante não trocar por nada, nem por uma “concorrente” que tem o “W” semelhante, ainda em operação: BMW. 

Entre os modelos, Candango, Fissore e um Puma DKW, este último um dos mais procurados por colecionadores. Há, ainda, a versão Belcar Rio ano 1965, série que saiu com referência às comemorações dos 400 anos da capital fluminense e é usado para test drive pelos visitantes que querem conhecer ou relembrar o ronco do motor dois tempos, além do tradicional bálsamo de óleo queimado. É usada também em corridas no interior de São Paulo. 

— Essa aqui segue invicta nas três corridas que disputou — comemora Matheus Jaeger, 39 anos, filho do dono. 

Pai e filho pegam a estrada com o mesmo veículo, do Rio Grande do Sul até Minas Gerais, no encontro anual de amantes do modelo. Em velocidade de cruzeiro, afirmam manter 120 km/h com facilidade. Para percorrer os 1,4 mil quilômetros, levam quase um dia, com paradas apenas para abastecer o carro e o corpo. 

Em uma área no saguão, o fundador da loja expõe quadros com fotografias pilotando o “Faísca” nas disputas em estradas de areia.  

— Ali estou sendo pressionado por outro, mas na frente. O DKW ainda tem um pulmãozinho — se diverte, ao observar a imagem. 

A recuperação total de chassi, motor, estofamento e lataria leva, em média, 90 dias, mas atualmente precisa entrar em uma fila de espera devido a demanda em alta. A estimativa é que haja 10 mil DKWs no Brasil, segundo os integrantes de grupos de admiradores. 

Ouça a reportagem que foi ao ar no Gaúcha Hoje, da Rádio Gaúcha


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