Sete anos após a conquista do Grand Slam de Brasília, Daniel Cargnin subiu novamente ao lugar mais alto do pódio em um torneio do mesmo porte no último final de semana.
Em Lausanne, na Suíça, o judoca da Sogipa e atual número 2 do ranking mundial ficou com o ouro na categoria até 73kg. Mesmo depois da conquista, a preparação de Cargnin não para.

"Espírito de lutador"
Em outubro, irá em busca do título mundial em Baku, no Azerbaijão. No ano passado, na Hungria, foi vice-campeão ao perder para o francês Joan-Benjamin Gaba.
— Essa competição na Suíça me mostrou uma coisa. Não pensar muito na probabilidade de ganhar ou de perder. É só entrar para lutar. Eu assisti a série do Nadal (Rafa) que me mostrou que tenho que entrar não só para ser vencedor, mas com espírito de lutador. Era uma coisa que eu tava perdendo. Só pensava na medalha e esquecia de que eu ia ter que dar vida para chegar. Eu já tenho uma prata, um bronze e dois quintos em Mundiais. A medalha que me falta é o ouro — disse em entrevista exclusiva à Zero Hora.
Preciso entrar com espírito de lutador e não apenas pensando em ganhar ou perder
Caminho sinuoso
O judoca da Sogipa teve um caminho difícil na competição na Suíça, contra escolas tradicionais no judô. Atletas de Geórgia, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Ucrânia e, por fim, Rússia. Logo nos segundos iniciais da decisão, o rival se colocou em vantagem com um yuko, mas Cargnin se recuperou e a um minuto do final aplicou um "ura-nage", projetando o adversário de costas para o chão, conquistando o ippon, e garantindo o título.
Desabafo após título
E uma imagem ficou marcada após a vitória. Assim que se levantou do tatame, proferiu as seguintes palavras "eu sou pic*, porr*!".
— A frase foi muito mais eu falando para mim do que para os outros. Depois que fiquei em quinto em Lima, comecei a duvidar muito de mim. Acontece direto. Ano passado, fui vice no Mundial e depois perdi uma competição e pensei: "será que é para mim?". Eu penso demais. Quando derrubei, falei mais para confirmar para mim mesmo que eu consigo. Foi um desabafo para tudo que eu estava pensando de mim — ressaltou.
A frase foi muito mais para confirmar para mim mesmo que eu consigo. Foi um desabafo para tudo que eu estava pensando de mim
E a olimpíada?
Cargnin se prepara para disputar pela terceira vez os Jogos Olímpicos. Em Tóquio, chocou o mundo e ficou com o bronze em 2021. Na Olimpíada seguinte, não conseguiu subir ao pódio no individual, mas ficou na terceira colocação por equipes.
Agora, vai em busca do título olímpico. Mas ainda não é tempo de pensar em Los Angeles.
— Quando penso nisso me vem uma ansiedade. Não preciso disso agora. Meu objetivo é ficar mais forte, tanto fisicamente quanto mentalmente, para chegar na hora e estar preparado. A medalha na Olimpíada seria algo muito importante. É um objetivo pessoal muito forte, mas tenho o desejo de ser campeão mundial.

Daniel Cargnin
28 anos (20/12/1997)
Principais conquistas
- Bronze nos Jogos de Tóquio (até 66kg)
- Bronze nos Jogos de Paris (por equipes)
- Prata no Campeonato Mundial em 2025 (até 73kg)
- Bronze no Campeonato Mundial em 2022 (até 73kg)
- Quatro medalhas em Grand Slams (ouro em Brasília e Lausanne, prata em Paris e bronze em Tel Aviv)
- Três medalhas Pan-Americanas (Lima 2019, Santiago 2023 e Santiago 2023 por equipes)
- Campeão mundial júnior em 2017 (até 66kg)
*No circuito mundial da Federação Internacional, os Grand Slams são o quarto campeonato mais importante, ficando atrás apenas dos Jogos Olímpicos, do Mundial e do Masters.





