
O Brasil terá sua maior delegação da história nos Jogos Olímpicos de Inverno. Para a edição de Milão-Cortina, na Itália, a partir do dia 6 de fevereiro, serão 14 atletas brasileiros (mais um reserva) na disputa dos esportes no gelo e na neve.
Em relação à última edição, em Pequim, em 2022, houve um aumento de 40% — de 10 para os 14 da Itália neste ano. A presença em Milão-Cortina supera o recorde de Sochi, em 2014, quando foram 13 atletas na disputa dos Jogos de Inverno.
— Uma delegação recorde representa um marco importante para os esportes de inverno no Brasil. Ela é reflexo direto de mais estrutura, melhor organização e planejamento de longo prazo. Os esportes de inverno são uma parte fundamental do Movimento Olímpico, e o Brasil já se consolida como a terceira força das Américas e a principal da América do Sul nesse cenário — analisa Emílio Strapasson, Chefe de Missão do Time Brasil.
Com os 14 atletas, o Brasil estará presente em cinco das oito modalidades dos Jogos. O país terá representantes no skeleton, no bobsled, no esqui alpino, no esqui cross-country e no snowboard halpipe.
Para o consultor de esportes do Comitê Olímpico do Brasil, Jorge Bichara, parceria foi a palavra-chave para alcançar esta marca.
— O trabalho feito em 2025 com as confederações de gelo e neve na preparação para a última etapa classificatória para os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina, que se encerrou ontem (domingo), se mostrou proveitoso com a confirmação de que o Brasil conquistou o maior número de vagas de sua história no evento.
Expectativa por medalhas
O ciclo, inclusive, permitiu que o Brasil sonhe com medalhas a partir de 6 de fevereiro. Além da gaúcha Nicole Silveira, um dos principais nomes dos esportes de inverno, o país ainda viu a transferência de nacionalidade de Lucas Pinheiro e Pat Burgener, dois atletas já consagrados por outras bandeiras.
Nos esportes de neve, foram 10 pódios em Copas do Mundo, nove no ski alpino e uma no snowboard halfpipe. A expectativa é garantir o melhor resultado da história, que pertence a Isabel Clark, com o nono lugar no snowboard cross conquistado também na Itália, nos Jogos Olímpicos de Inverno Turim 2006.
Quem são os atletas nos Jogos Olímpicos de Inverno
Nicole Silveira - Skeleton

Gaúcha de Rio Grande, Nicole foi morar no Canadá aos sete anos de idade. Passou por diversas modalidades, como ginástica, balé, futebol, vôlei e fisiculturismo, até chegar aos esportes de gelo.
Quando trabalhava em uma loja de suplementos em Calgary, soube por um amigo que a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo estava realizando testes para o bobsled.
Foi selecionada e chegou a tentar a classificação olímpica para PyeongChang 2018, mas logo migrou para o skeleton. Enfermeira por formação, hoje é uma das principais atletas do circuito, quarta colocada no Mundial de Skeleton, em 2025, e com três medalhas de bronze em etapas da Copa do Mundo.
Edson Bindilatti - Bobsled

Baiano de Camamu, Edson Bindilatti entrou no esporte por meio do atletismo, com bons resultados no decatlo. Foi nove vezes campeão brasileiro, além de ter conquistado o título sul-americano e ibero-americano.
Mas foi no bobsled que ele entrou para a história. Pioneiro na modalidade, é recordista de participações olímpicas. Com Milão-Cortina, serão seis no total: Salt Lake City 2002, Turim 2006, Sochi 2014, PyeongChang 2018 e Pequim 2022. Além disso, é tricampeão da Copa América.
* O bobsled terá quatro atletas e um reserva. Por enquanto há apenas a confirmação de Edson Bindilatti como piloto do trenó 4-man
Lucas Pinheiro Braathen - Esqui Alpino

Filho de mãe brasileira e pai norueguês, o esquiador Lucas Pinheiro nasceu em Oslo, na Noruega, e defendeu o país nórdico até a temporada 2022/2023.
Em 2024, ele solicitou a transferência de nacionalidade esportiva para o país materno. Desde então, acumula recordes para o Brasil: subiu nove vezes ao pódio da Copa do Mundo de esqui alpino. É a principal esperança de medalha do Brasil nos Jogos de Inverno.
Christian Oliveira - Esqui Alpino

Filho de mãe brasileira, Christian Oliveira nasceu no Rio de Janeiro, mas se mudou para a Noruega, país do pai, antes de completar um ano de idade.
Antes de solicitar a transferência de nacionalidade esportiva para o Brasil, ele iniciou a carreira no ski alpino competindo pela equipe norueguesa. Christian passou a defender o Brasil na temporada 2025/2026 e, desde então, foi top 10 em seis campeonatos.
Giovanni Ongaro - Esqui Alpino

Assim como Lucas Pinheiro, o esquiador Giovanni Ongaro também é filho de mãe brasileira e passou a defender o Brasil na temporada 2024/2025. Acumula bons resultados em provas júnior, com pódios e pontuações expressivas nas disciplinas slalom e slalom gigante.
Alice Padilha - Esqui Alpino

Principal revelação brasileira no ski alpino feminino nos últimos anos, garantiu no início de 2025 a vaga para o Brasil na disputa da disciplina Slalom.
Nascida no Rio de Janeiro, começou a esquiar aos seis anos em uma pequena montanha de ski nos Estados Unidos.
Aos 14 anos, mudou-se para Killington, em Vermont, onde estudou em uma academia especializada em ski alpino. Após se graduar no high school aos 18 anos, ela passou a morar na Áustria, onde atualmente treina para as competições.
Eduarda Ribera - Esqui Cross-Country

Com 15 anos, Duda representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude Lausanne 2020 e dois anos depois disputou os Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022.
Atualmente com 21 anos, Duda é a principal atleta de ski cross-country residente no Brasil, acumulando vitórias nas provas do Circuito Brasileiro de Rollerski, organizado pela Confederação Brasileira de Desportos na Neve, além de representar o Brasil em diversas competições internacionais.
Bruna Moura - Esqui Cross-Country

A brasileira faz sua estreia em Jogos Olímpicos de Inverno. A primeira participação de Bruna deveria ter sido em Pequim, em 2022, mas ela sofreu um acidente.
A trajetória de Bruna no ski cross-country teve início por influência da amiga e referência do esporte, Jaqueline Mourão. Na época, elas praticavam ciclismo mountain bike, mas Bruna precisou parar de competir devido a problemas de saúde.
No ciclo olímpico para Milão-Cortina 2026, Bruna teve participação contínua em provas de ski cross-country na Europa, com presença nos Mundiais da modalidade.
Manex Silva - Esqui Cross-Country

Nascido no Acre, Manex se mudou muito jovem com a família para a Europa, onde teve o primeiro contato com os esportes de neve. Representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude, em Lausanne 2020.
Foi um dos atletas brasileiros mais jovens no evento — na prova de sprint masculino, ele terminou entre os 40 primeiros da competição, em 39º lugar. Dois anos depois, ele competiu nos Jogos Olímpicos de Inverno, em Pequim 2022.
Em fevereiro do ano passado, Manex estabeleceu o índice olímpico no Mundial de ski cross-country de Trondheim, na Noruega.
Pat Burgener - Snowboard Halfpipe

Nasceu na Suíça e defendeu o país europeu até 2025, quando optou pela transferência de nacionalidade esportiva para defender o Brasil, país onde a mãe libanesa foi refugiada e morou por mais de 10 anos.
Em sua primeira temporada defendendo o Brasil, já conquistou resultados históricos para o país. Tornou-se o primeiro brasileiro a avançar à final de uma etapa de Copa do Mundo de Snowboard Halfpipe.
Em Calgary, no Canadá, Pat levou o Brasil pela primeira vez ao pódio da Copa do Mundo de Snowboard Halfpipe. Ainda como suíço, Pat conquistou duas medalhas de bronze em mundiais, em 2017, na Espanha, e em 2019, nos Estados Unidos.
Disputou as duas últimas edições dos Jogos Olímpicos de Inverno — quinto em PyeongChang 2018 e 11º lugar em Pequim 2022.
Augustinho Teixeira - Snowboard Halfpipe

Nascido na Argentina, Augustinho Teixeira começou a praticar esportes de neve desde muito jovem. Sua família se mudou para Canadá, onde se aproximou ainda mais da modalidade.
No ciclo olímpico para Milão-Cortina 2026, Augustinho alcançou resultados marcantes. No início de 2025, foi campeão da European Cup, em Kitzsteinhorn (Áustria) e obteve a 18ª posição no Mundial de snowboard halfpipe, em Engadin (Suíça).
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