
Se uma situação aconteceu somente duas vezes na história, significa que é mais fácil ganhar a Mega da Virada do que o fato voltar a se repetir. O quarteto de remadores brasileiros medalha de bronze na prova do quatro sem nos Jogos Pan-americanos Júnior 2025 ganharam esse sorteio indesejado. Eles foram homenageados na noite de quinta-feira (11) com a medalha Vanderlei Cordeiro de Lima, durante o Prêmio Brasil Olímpico, no Rio de Janeiro.
A 300 metros do fim da prova, a forqueta do barco se soltou. A peça segura o barco no remo. Sem ela, não há remo. A equipe remava em busca do primeiro lugar quando passaram a remar com três homens.
— Foi muito dolorido, tive que me esforçar mais ainda. Foi um choque. Vi que o Miguel (Marques) parou de remar e eu não tinha entendido. Ele começou a gritar e eu a remar. Quando acabou a prova ainda não tinha entendido o que tinha acontecido. Os técnicos disseram que eu fiz história — comemora André Jessé, atleta do Grêmio Náutico União.
Apesar da desvantagem, Jessé, Diogo Volkmann, também do União, e Kaiky Rocha controlaram a vantagem aberta em relação à equipe de Cuba, quarta colocada na prova.
Nem todo o esforço de Jessé impediu o barco de lateralizar, e eles cruzaram a linha de chegada praticamente de lado. Diogo relata mais detalhes dos momentos de tensão.
— Senti medo. Ele (Miguel) ficou gritando para continuar, fizemos força, força, força. Cruzamos a linha de chegada quase de lado. Foi bem assustador. Como conseguimos fazer isso? — indaga de maneira retórica.
Quarteto festejado
O quarteto esteve entre os mais assediados na noite de gala do esporte brasileiro. Os quatro foram os primeiros a serem homenageados com a medalha Vanderlei Cordeiro de Lima, honraria criada pelo Comitê Olímpico do Brasil este ano. Ela foi batizada com o nome do maratonista medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004. Vanderlei liderava a maratona olímpica ao ser atacado por um torcedor. Apesar do golpe, seguiu na disputa e subiu ao pódio.
A homenagem tem inspiração em outros prêmios internacionais, como a medalha Pierre de Coubertin, em que o reconhecimento não ocorre pelo desempenho esportivo, mas por comportamentos exemplares em situações desfavoráveis.
— Realização de um sonho que não achei que era possível tão rápido. Vai ser um combustível para a minha carreira — ressalta Volkmann.
Quem venceu a prova pouco importa. O espírito de Andrei, Diogo, Kayqui e Miguel falou mais alto, afinal é até mais fácil acertar a Mega da Virada.



