O último ano do ciclo olímpico para os Jogos de Tóquio é decisivo para atletas e, principalmente, para o país-sede. A caminhada até a cerimônia de abertura, prevista para começar às 20h (horário de Brasília) no Estádio Olímpico, passa pela preparação da capital japonesa para receber as mais de 200 delegações que desembarcarão em solo asiático.
A comparação com os Jogos do Rio 2016 é inevitável. Na mesma época da Olimpíada carioca, a agência britânica de notícias Reuters ressaltou ser normal que, perto de grandes eventos, houvesse correria para finalizar obras. Mas comparou que, a 365 dias para a Olimpíada de Londres 2012, quase 80% das instalações estavam prontas. Na edição brasileira, segundo informações da agência, somente 15% das 56 construções olímpicas haviam sido finalizadas.
O cenário em Tóquio é outro. O Comitê Olímpico Internacional (COI) destaca que, a 12 meses para os Jogos, as poucas obras em andamento estão aceleradas e em bom ritmo. Das 43 instalações, 36 foram completamente entregues. O número representa 83,7% das estruturas. Das sete restantes, seis serão finalizadas até o final do ano. Entre elas, o Estádio Olímpico de Tóquio, que além das cerimônias de abertura e encerramento receberá as disputas do atletismo e do futebol, com inauguração marcada para 21 de dezembro.
— Estivemos em Hamamatsu, onde é a sede do judô brasileiro no Japão, uma cidade do lado de Tóquio. Em Tóquio, passamos dois dias. Mas já está quase tudo pronto. Os japoneses são diferentes. Lá, no centro de treinamento onde a gente ficou, já tem a cama onde cada atleta vai ficar — conta Antônio Carlos Pereira, o Kiko, técnico de judô da Sogipa, que no final de 2018 acompanhou judocas da seleção brasileira para um período de aclimatação e treinamentos na capital do Japão.
Os japoneses são diferentes
KIKO
Técnico de judô da Sogipa
Kiko revela que a preocupação dos organizadores chega a particularidades da alimentação de cada país:
— Na última vez que a gente foi, os cozinheiros da cidade já estavam aprendendo a fazer feijão. Então, até a comida já era adaptada ao Brasil. Eles já tinham comprado tudo, todos os tatames, os aparelhos de musculação. Quando eles se comprometem, cumprem os prazos e até os antecipam na maioria das vezes. Nenhuma palavra que a gente usar como perfeição, comprometimento, eficiência, serão palavras econômicas. Eles são diferenciados.
As instalações estão separadas em duas áreas, a Heritage Zone, que evoca o legado dos Jogos de 1964, e a Tokyo Bay Zone, que simboliza o futuro da região metropolitana da capital japonesa. Na intersecção das duas zonas, está localizada a Vila Olímpica, que hospedará a maior parte da delegação brasileira. O Comitê Olímpico do Brasil (COB) ainda terá outras oito bases no Japão: Chiba, Enoshima, Hamamatsu, Sagamihara, Saitama, Ota, Koto e Chuo.
— A tendência normal é de que a maioria dos atletas fique dentro da Vila. Porém, a adaptação ao fuso horário faz com que a gente chegue com antecedência. Sendo assim, eles também terão essas sedes montadas pelo COB, com toda a estrutura necessária, para ajudar na aclimatação — ressaltou Jorge Bichara, diretor de esportes do Comitê Olímpico do Brasil.
Desafios do Brasil no Japão
O COB, inclusive, montou um planejamento especial para a delegação olímpica. De acordo com a entidade, o Japão irá impor três desafios naturais aos brasileiros: o fuso, o calor e a alimentação. Para minimizar os problemas de adaptação, pela primeira vez na história o comitê terá a cozinha com comida brasileira em uma Olimpíada. O treinamento de cozinheiros locais começou em 2018 e até o evento espera-se ter força de trabalho preparada para atender à demanda de até 250 atletas.
— Há uma necessidade de adaptação que se apresenta ao Brasil. Além do fuso horário, outro desafio é o clima. A época da realização dos Jogos (verão no Japão) para modalidades disputadas ao ar livre tem um impacto muito grande com o calor. Dentro do desempenho esportivo do brasileiro, é muito importante também a manutenção dos hábitos alimentares. Todos esses processos foram providenciados pelo Comitê Olímpico do Brasil, e não pela organização da Olimpíada, em visitas anteriores. Estabelecemos isso como nossas prioridades — ressaltou Bichara.
Ainda de acordo com o plano de ação do COB, antes de se acomodar na Vila Olímpica, a maioria dos competidores chegará com 12 dias de antecedência ao Japão. Os investimentos para 2018 foram de R$ 153 milhões para treinamentos e outra atividades. As cifras deverão crescer na atual temporada, já que é ano pré-olímpico e os esforços se intensificam.




