
Flamengo, Borussia Dortmund e Real Sociedad mostram que é possível transformar uma situação financeira alarmante em sucesso econômico e esportivo. Mas o que a história desses três clubes pode ensinar à dupla Gre-Nal?
Em uma série de reportagens, Zero Hora explica como times do Brasil e da Europa superaram o colapso financeiro e voltaram a conquistar títulos. E também quais lições desses clubes podem ser aplicadas pelos gaúchos.
Inter
- Transferban, dívida de R$ 1 bi, atrasos e risco de recuperação judicial
Sob transferban e dependendo de uma doação para pagar os compromissos com os jogadores, o Inter já debate internamente medidas extremas para garantir a sua sobrevivência, entre elas aderir a um regime de recuperação judicial.
Segundo Amir Somoggi, sócio-diretor da SportsValue, especializada em análise de balanços de entidades esportivas, a dívida colorada já é de R$ 1,04 bilhão.
Tudo isso em meio a um risco cada vez mais iminente de rebaixamento à Série B.
— A situação do Inter hoje é bastante preocupante. Um gasto muito excessivo que levou o clube a uma situação dramática. O endividamento bancário está estrangulando o clube, tanto no curto como no longo prazo. Hoje o Inter está asfixiado financeiramente — analisa.
Hoje o Inter está asfixiado financeiramente

Grêmio
- Endividamento alto e situação que inspira cuidados
Em situação menos alarmante do ponto de vista financeiro, o Grêmio também enfrenta dificuldades — além do risco de queda.
A venda de Viery à Fiorentina, em julho, permitiu ao clube quitar atrasos nos direitos de imagem dos atletas, mas a dívida, segundo Somoggi, já bate nos R$ 960 milhões.
— O Grêmio tem uma dívida menor do que a do Inter, mas você vê um aumento de empréstimos e de compra de atletas. Eu diria que a situação também é preocupante, pois a despesa financeira do Grêmio também cresceu muito — avalia Somoggi.
A situação é preocupante. A despesa financeira do Grêmio cresceu muito

Há saída para a crise da dupla Gre-Nal?
E, em meio a isso, os dois gigantes de Porto Alegre amargam a zona de rebaixamento e pelo segundo ano consecutivo têm como principal meta evitar a queda no Brasileirão. Mas há saída para a crise da dupla Gre-Nal? Flamengo, Borussia Dortmund e Real Sociedad mostram que sim.
— A nossa situação era pré-falimentar.
— A nossa existência esteve ameaçada.
— O clube corria risco de ser dissolvido.
As frases acima foram ditas por importantes dirigentes dos três clubes, respectivamente. Todos enfrentaram crises financeiras gravíssimas e conseguiram se reconstruir.
Flamengo: “Situação caótica”
No início de 2013, quando Eduardo Bandeira de Mello assumiu a presidência do Flamengo, o clube tinha uma dívida de R$ 750,7 milhões e receita anual de pouco mais de R$ 200 milhões.
Os salários estavam atrasados e parte das receitas era constantemente penhorada, comprometendo o funcionamento da instituição.

Borussia Dortmund: “Com a cabeça na guilhotina”
Campeão da Champions League em 1997 e da Bundesliga em 2001/2002, o Borussia Dortmund pagou caro pelo sucesso esportivo poucos anos depois.
Em 2003, os alemães não conseguiram se classificar para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Sem as receitas da competição continental, o clube mergulhou em uma grave crise financeira.
Com prejuízo anual próximo de 80 milhões de euros, o Borussia Dortmund passou a depender da anuência dos credores para continuar funcionando e teve a própria existência ameaçada.
— A nossa cabeça já estava na guilhotina. Eu vi a cabeça do Borussia Dortmund na guilhotina umas cinco ou seis vezes — revela o então CEO do clube, Hans-Joachim Watzke.

Real Sociedad: sob "recuperação judicial"
Na temporada 2008/2009, a Real Sociedad-ESP estava na Segunda Divisão, acumulava prejuízo superior a 23 milhões de euros e devia cerca de 41 milhões de euros, com receita anual de apenas 17 milhões.
Sem condições de honrar normalmente seus compromissos, o clube ingressou em um processo de “concurso de credores”, mecanismo com características semelhantes às de uma recuperação judicial no Brasil.
— Entramos em um momento de enorme turbulência, com o clube profundamente dividido e uma situação econômica de altíssimo risco — relatou o então diretor-esportivo Loren Juarros.

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