
O Gre-Nal 454 irá definir um semifinalista da Copa do Brasil, mas também será um marco na rivalidade, já que é apenas a segunda vez que as equipes se enfrentam em um mata-mata de competição nacional.
O confronto ainda pode ganhar requintes de crueldade caso seja decidido nas penalidades. Para isso, basta um novo empate na Arena nesta quinta-feira (3).
Na história do clássico, a disputa de pênaltis definiu o vencedor apenas oito vezes. A vantagem é do Inter, que saiu com a vitória em seis oportunidades. Já o Grêmio levou a melhor em apenas duas disputas.
Em contrapartida, o Tricolor saiu vitorioso na última decisão. Na final do Gauchão de 2019, após um empate sem gols na Arena, o time da casa venceu por 3 a 2 nas penalidades. O destaque foi o goleiro Paulo Victor, que defendeu as cobranças de Camilo, Cuesta e Nico López.
— Com certeza foi um momento marcante. Não só a decisão por pênaltis, mas o estadual de 2019, em que a nossa equipe sofreu apenas um gol. Ainda teve uma final iluminada daquelas, pegar três pênaltis em um Gre-Nal. Isso marcou bastante a minha vida e a minha história. Deixa grandes lembranças — lembra Paulo Victor, que defendeu o Grêmio entre 2017 e 2021.
Se o Grêmio levou a melhor na última disputa de pênaltis, o Inter saiu vitorioso na primeira. Em 1972, as equipes empataram sem gols no Beira-Rio, em um jogo comemorativo dos 200 anos de Porto Alegre. O Colorado fez 5 a 4 nas cobranças.
Em 2011, foram duas disputas no Gauchão. A primeira foi na final da Taça Farroupilha, e a segunda, na decisão do Estadual. O Inter venceu ambas e teve em campo o lateral-direito Nei, que converteu a penúltima cobrança na final, no Olímpico. Após perder na ida por 3 a 2, em casa, o Colorado devolveu o placar na casa gremista e teve o goleiro Renan como herói.
— Teve um sentimento diferente por tudo o que envolveu. Perdemos o primeiro jogo e fomos massacrados por todos. Só nós acreditávamos. Fomos lá, revertemos o placar e fomos campeões. Ainda foi o último título no Olímpico. É nosso — conta Nei, que esteve no Inter entre 2010 e 2012.
A preparação
O enredo das penalidades é feito para que um dos dois goleiros seja herói, por mais que isso não aconteça sempre. Além do treino diário, esses jogadores contam com um suporte mais atual para fazer a diferença. Com a evolução da tecnologia, é possível analisar as últimas cobranças da equipe adversária para buscar pontos fracos nos batedores ou reconhecer os “cantos de segurança” dos atletas.
— Não tem ritual, é mais um estudo. Nós temos a tecnologia a nosso favor. Hoje em dia, podemos saber mais sobre o batedor, os últimos pênaltis dele. Então, isso facilita. Na época, o "Rogerião", treinador de goleiros, já tinha passado algumas situações do que poderia acontecer. E ter pessoas ao lado, auxiliando, torna tudo mais fácil — conta Paulo Victor, que está no Alanyaspor, da Turquia.
No caso dos batedores, a estratégia varia. Enquanto alguns preferem decidir o canto e a força da batida no momento da cobrança, ao visualizar o goleiro adversário, outros preferem manter o mesmo chute em diferentes contextos. No caso de Nei, o treino diário foi fundamental para converter o pênalti em 2011. Com a perna direita, finalizou cruzado e rasteiro. Victor acertou o canto, mas não pôde evitar o gol.
— Nervoso eu não estava. Estava muito concentrado, treinava pênaltis quase todos os dias. Confiava em mim e era isso que eu precisava. A minha batida de confiança era cruzada. Eu decidia o canto antes, me concentrava e batia. Só isso. Nada de diferente — comenta Nei, que se aposentou em 2019.
O futuro pode repetir o passado?
Uma das vezes em que o clássico foi decidido nos pênaltis foi justamente em uma Copa do Brasil, também nas quartas de final, mas em 1992, quando os times empataram em 1 a 1 nas duas partidas. No Beira-Rio, brilhou a estrela do goleiro paraguaio Gato Fernández, que defendeu duas cobranças e viu Alcindo chutar para longe. O Inter venceu por 3 a 2 e avançou no torneio em que foi campeão no mesmo ano.
Nesta quinta-feira, o cenário das penalidades não estará distante de Grêmio e Inter, tanto pelo empate na ida quanto pelo momento parecido que os clubes enfrentam na temporada. O Grêmio terá a vantagem de decidir em casa e contar com o apoio de sua torcida. Já o Inter poderá se apegar ao histórico amplamente favorável. De qualquer forma, sendo pênalti loteria ou não, o momento irá exigir muita concentração dos atletas e paciência dos torcedores.
Confira todos os clássicos Gre-Nal que foram decididos nos pênaltis
- 1972 - Inter (5)0x0(4) Grêmio / Beira-Rio / Amistoso
- 1987 - Grêmio (2)0x0(3) Inter / Olímpico / Gauchão
- 1989 - Inter (4)1x1(3) Grêmio / Beira-Rio / Gauchão
- 1989 - Grêmio (4)0x0(3) Inter / Olímpico / Gauchão
- 1992 - Inter (3)1x1(0) Grêmio / Beira-Rio / Copa do Brasil
- 2011 - Inter (4)1x1(2) Grêmio / Beira-Rio / Gauchão
- 2011 - Grêmio (4)2x3(5) Inter / Olímpico / Gauchão
- 2019 - Grêmio (3)0x0(2) Inter / Arena / Gauchão
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