Uma única competição é capaz de reunir campeões paralímpicos e atletas que estão no início da carreira. Esse é o Meeting Paralímpico, evento organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) que movimentou Porto Alegre na manhã deste sábado (1º), com 55 provas e 110 atletas em diferentes categorias.
As provas da natação foram realizadas no Grêmio Náutico União, clube pelo qual compete a brasileira com mais medalhas de ouro na história dos Jogos Paralímpicos: Maria Carolina Gomes Santiago, conhecida como Carol Santiago. A campeã paralímpica competiu na prova de 50m livre, da classe S12 (baixa visão), com um tempo de 27s49.
Dentro das piscinas, Carol estava competindo braçada a braçada, como todas as outras nadadoras. Fora dela, a admiração e o respeito das colegas era nítida em frases como “fiquei nervosa de competir contra ti, Carol”.
— É uma competição de entrada para o esporte paralímpico, então encontramos muitos atletas que estão começando e outros que estão desejando chegar aonde a gente chegou. Fico muito feliz, acho que é para isso mesmo que a gente chegou aonde chegou, para poder inspirar novos atletas — afirma.

Ainda que estrelas como Carol movimentem o evento, o Meeting Paralímpico também é a entrada de muitos jovens atletas no universo competitivo. É o caso de Henrique Roos Martins, de nove anos.
— Esperei muito para isso e treinei muito. Estou dando o meu melhor para, na minha primeira competição, já ir muito bem. Estou muito feliz por estar aqui competindo em uma piscina de 50 metros que, para mim, é bastante — comenta o nadador.
Técnica de segurança de trabalho, a mãe de Henrique, Bruna Lopes Roos, conta que já era para o menino ter estreado em competições antes, mas como tem osteogênese imperfeita, a doença dos "ossos de vidro", decidiram esperar por um momento em que ele estivesse saudável. A condição é caracterizada por fragilidade e deformidades ósseas, o que facilita fraturas.

Já as provas de atletismo foram realizadas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Um dos destaques foi o gaúcho Wallison Fortes, que compete na classe T64, para atletas com ausência de uma das pernas abaixo do joelho (amputação) que utilizam prótese. Ouro nos 200m no Mundial de Kobe 2024 e recordista brasileiro nas provas dos 100m, 200m e 400m, o atleta encara o Meeting com a mesma seriedade que qualquer outra competição.
— Eu vejo o Meeting como uma grande oportunidade tanto para quem está começando quanto para quem já está no cenário paralímpico. Para quem está começando, é bom para trocar experiências. Para quem já está há algum tempo, (é bom para) passar as experiências que a gente viveu, para que, no fundo, todo mundo venha a crescer com tudo isso — salienta Wallison.
As marcas obtidas na competição são válidas para os rankings brasileiros e utilizadas como critérios de classificação para competições nacionais organizadas pelo CPB, como as Paralimpíadas Escolares, as Paralimpíadas Universitárias e os Circuitos Brasileiros.
Por esse motivo, atletas vêm de outros Estados para conseguirem pontos para a temporada. Como Estado-sede, o Rio Grande do Sul tem prioridade para competir, mas o evento também recebeu atletas de Santa Catarina, do Amazonas e de Manaus.
Esporte paralímpico no Brasil todo
O Meeting Paralímpico percorre todos os Estados do Brasil e o Distrito Federal em 2026. Neste sábado, além da etapa de Porto Alegre, o Rio de Janeiro recebe 314 atletas nas modalidades de Tiro Esportivo, Halterofilismo, Natação e Atletismo.
Desde abril, outras 24 capitais já foram sede do Meeting: Belém (PA), Rio Branco (AC), São Luís (MA), Teresina (PI), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Fortaleza (CE), Cuiabá (MT), Manaus (AM), Natal (RN), João Pessoa (PB), Campo Grande (MS), Macapá (AP), Brasília (DF), Recife (PE), Palmas (TO), Goiânia (GO), Maceió (AL), Aracaju (SE), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Salvador (BA), Vitória (ES) e Florianópolis (SC). A última etapa do evento ocorre em São Paulo (SP), entre os dias 6 e 8 de agosto.
Para Fernanda Michaelsen, supervisora externa do CPB do Centro de Referência Porto Alegre, a realização do evento na Capital permite que os porto-alegrenses contemplem o esporte e seus atletas.
— Hoje, nós temos 109 centros de referência espalhados pelo país todo e que atingem todos os estados brasileiros. Esse trabalho está sendo feito com a base, não só trazendo atletas de iniciação para serem os futuros atletas, mas aquela pessoa que está em casa, que precisa se sentir querido. Porque o esporte é uma ferramenta importante e poderosa de inclusão — explica Fernanda.

