
O primeiro passo para levar o Gre-Nal para as telas foi desistir. São mais de um século de história, e cada jogo tem um punhado de personagens. Também estão espalhadas por 452 clássicos brigas, títulos, batalhas futebolísticas épicas, embates pugilísticos, tristes, mas memórias. Impossível contar tudo em um filme. O primeiro passo dos diretores de "Gre-Nal, o maior clássico das Américas" foi encontrar um caminho para contar as façanhas deste jogo.
O filme em exibição especial nesta quinta-feira (20), no Festival de Cinema de Gramado, transformou os causos de uma vida de rivalidade em um documento mais sociológico do que factual, em um mergulho do que significa para os gaúchos a mistura entre o vermelho e o azul sobre o gramado verde.
— Nossa visão foi muito mais de traduzir o que significa a sociologia do Gre-Nal, de um povo que faz isso de uma forma muito legal, porque o Gre-nal é quase uma batalha ganha-ganha. O Gre-Nal você perde hoje, você trabalha para ser melhor, para ganhar no futuro. Então é lindo esse espírito aí de ganha-ganha — destaca o baiano Mauricio Magalhães, diretor executivo do projeto.
O passo seguinte foi criar um conselho de notáveis para construir uma coluna vertebral do que é o Gre-Nal e pesquisar detalhes sobre a história do clássico para escolher os momentos que ajudam a traduzir melhor a relação do gaúcho com este jogo.
Do local para o universal
Foram mais de 35 horas de entrevistas, com nomes históricos, como Felipão, Abel Baga, Paulo Nunes e Valdomiro, entre outros. Também relatam as nuances "grenalísticas" torcedores, jornalistas e dirigentes.
— O Gre-Nal não é só um jogo, tem camadas absolutamente apaixonantes. Ele está intrincado com a própria definição do ser gaúcho. Tem a "semana Gre-Nal", o "Homem Gre-Nal", você não houve essas expressões nos outros clássicos — argumenta o carioca Belisario Franca, um dos diretores do documentário.
Para unir o universal e o local, o papel do torcedor surge como fundamental para relatar o sentimento da rivalidade. As torcidas são o fio condutor da história e estão presentes em quase todos os momentos.
— Entendi que esse era o clássico mais rock and roll do Brasil, porque é puro rock and roll. O Rio Grande do Sul produziu e produz ainda um ótimo rock and roll. É embate, é choque. Gre-Nal é choque, é aquele encontro de disputa, nada mais rock and roll — complementa Franca.
O profissional mais importante
A visão externa esteve acompanhada de um olhar gaúcho. A codiretora Tatiana Sager foi uma das responsáveis por unir o olhar externo com o conhecimento e o sentimento local. Gaúcha, vive desde a infância as dores e as alegrias do clássico.
— Aqui no Rio Grande do Sul, parece que o gremista torce mais para o colorado perder do que para o Grêmio ganhar e vice-versa — destaca.
Não demorou muito para a produção entender o peso da equidade dessa relação entre os colorados e gremistas. Para sofrerem com a fiscalização dos torcedores sobre uma suposta preferência, uma contratação de suma importância foi feita.
— O cargo mais importante do filme é o cronometrista. É ele que vai garantir a minha sobrevivência e a todos para que a quantidade de imagens Inter e do Grêmio fossem iguais. O cronometrista funcionou. A gente assegura que os tempos do filme, as proporções das entrevistas, as importâncias das entrevistas, estão 50% de cada lado — brinca, com um tanto de verdade Magalhães.
As gravações aconteceram em 2023 e 2024 e terminam com o Gre-Nal da enchente. Com colorados e gremistas indo acompanhar o clássico em Curitiba.
"Gre-Nal: o maior clássico das Américas" tem produção da Giros Filmes, em parceria com Panda Filmes, SporTV e RBS TV. A estreia nos cinemas está programada para setembro.
Serviço
- O que: Gre-Nal: o maior clássico das Américas, no 54° Festival de Cinema de Gramado
- Quando: quinta-feira (20), às 16h
- Onde: Hotel Serra Azul, em Gramado
- Quanto: entrada franca
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