
A vela é o esporte individual que mais rendeu medalhas olímpicas para o Brasil na história: são 19 no total. Mas há outra competição, além dos Jogos, que reúne os velejadores mais rápidos do mundo.
Trata-se da Sail GP, conhecida como a "Fórmula 1" da vela. Um dos velejadores do único barco brasileiro atualmente na ativa na competição é gaúcho e criado no Clube Jangadeiros, de Porto Alegre.
Breno Segabinazi Kneipp integra o Mubadala, primeira equipe sul-americana da história da Sail GP, que estreou no campeonato na temporada 2025. A iniciativa marcou o retorno do Brasil ao cenário internacional da vela de alto desempenho, em uma das ligas que mais crescem globalmente.
Há, inclusive, um nome conhecido no barco. A piloto é a bicampeã olímpica Martine Grael. A equipe é formada por 12 competidores, entre os que estão no barco, estrategistas e reservas. Metade precisa ser, obrigatoriamente, da nacionalidade da equipe.
E se o primeiro ano foi de estreia, o objetivo em 2026 é dar um passo a mais. E, de acordo com ele, consolidar a vela no cenário nacional:
— O objetivo é impulsionar o crescimento desse esporte em alta performance. Não é tão divulgado, especialmente no Brasil. Mas vem crescendo bastante — afirmou.
A função e a rotina

Kneipp atua no barco como "Grinder". Na função, atua na parte da frente do barco, girando manivelas que ajudam a ajustar a vela e gerar a energia necessária para movimentar a asa.
Além da velocidade (os barcos podem chegar a 100 km/h), outras semelhanças fazem com que a categoria ganhe o apelido de "Fórmula 1 da vela". O sistema de telemetria, com uso da tecnologia, é utilizado pelas equipes.
No entanto, também há diferenças. Todos os barcos são iguais, com a mesma produção e os mesmos ajustes. O que muda é a tripulação.
A Sail GP conta com 12 equipes. E as etapas são espalhadas por todo o mundo. A próxima, inclusive, acontece neste fim de semana. Nos dias 25 e 26 de julho (sábado e domingo), a Sail GP chega a Inglaterra. A etapa será em Portsmouth.
A competição ainda passará pela Alemanha, Espanha, Suíça até chegar às duas últimas etapas nos Emirados Árabes, em Dubai e Abu Dhabi, em novembro. A rotina de treinos e viagens, de acordo com Kneipp, é exaustiva:
— Muitas viagens. Resido em Porto Alegre, treino de seis a sete vezes por semana, dois treinos por dia. Tenho um preparador físico, que divide entre barco e água — frisou.
Trajetória e o Jangadeiros
Hoje com 25 anos, Breno começou a velejar aos sete. E sempre gostou dos barcos com mais velocidade. Aos 15, migrou para os mais rápidos.
Começou, então, a disputar campeonatos brasileiros e sul-americanos, nos quais se destacou. A partir daí, conhecendo as ligas e as competições de alta performance, aliado aos bons resultados, chegou na Sail GP.
Ele destaca a importância do Clube Jangadeiros, de Porto Alegre, nesta formação:
— O Jangadeiros foi o começo de tudo, a "sementinha" que foi plantada. Tudo saiu dali. Tenho muito carinho pelo clube, que me deu essa experiência — concluiu.



