
O FBI investiga movimentações financeiras da Federação Argentina (AFA) realizadas em território dos Estados Unidos. A apuração busca esclarecer possíveis crimes, como lavagem de dinheiro e fraude, segundo o jornal argentino La Nación.
A informação foi divulgada pelo jornal nesta quarta-feira (8). A publicação afirma que as autoridades buscam entender como a entidade máxima do futebol argentino movimentou centenas de milhões de dólares pelo sistema bancário dos EUA e se nenhuma dessas operações violou a legislação do país.
Documentos obtidos pelo La Nación apontam que a TourProdEnter LLC, empresa ligada ao produtor teatral Javier Faroni e à empresária Erica Gillette, administrou contratos comerciais internacionais da AFA com marcas como Adidas e Warner.
Segundo a reportagem, a empresa movimentou cerca de US$ 260 milhões por contas mantidas em cinco instituições financeiras americanas: Citibank, Synovus, Bank of America, JP Morgan e PNC Bank.
Os investigadores afirmam que apenas parte desse valor tem despesas operacionais claramente identificadas. Outros US$ 57 milhões teriam sido transferidos para diferentes empresas, cujas origens e destinos seguem sob análise.
Ainda conforme o La Nación, a investigação ganhou força ao longo de 2025 e é conduzida pelos promotores federais Patrick Gushue, Christopher Ting e Michael Berger, do Distrito Sul da Flórida, especializados em crimes financeiros.
Entre os principais depoimentos está o do empresário Guillermo Tofoni, autor da denúncia que deu origem ao caso e crítico da estrutura financeira utilizada pela AFA nos Estados Unidos. O jornal informa ainda que o Departamento de Justiça dos EUA avalia ouvir ex-integrantes do governo do presidente Javier Milei.
Alertas desde 2024
A apuração teve início após um alerta enviado às autoridades americanas em setembro de 2024 pelo então Ministério da Segurança da Argentina, comandado por Patricia Bullrich. Na ocasião, o FBI concluiu que não havia elementos suficientes para abrir uma investigação criminal.
O cenário mudou no início de 2026, quando novas denúncias e documentos bancários reforçaram as suspeitas sobre as movimentações financeiras da entidade.
Enquanto o caso avança nos Estados Unidos, o presidente da AFA, Claudio "Chiqui" Tapia, acompanha a campanha da seleção argentina na Copa do Mundo. Segundo o La Nación, ele foi autorizado pela Justiça argentina a viajar após pagar a fiança em outro processo no qual é investigado por suposta retenção indevida de contribuições previdenciárias e impostos.
Até o momento, nem a AFA nem Claudio Tapia se manifestaram sobre a investigação conduzida pelas autoridades americanas. O caso está em fase preliminar e, até agora, não há denúncia formal nem acusação criminal contra a entidade ou seus dirigentes.
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