Adeus ao sonho do hexa: o Brasil foi derrotado pela Noruega de Erling Haaland por 2 a 1 neste domingo (5) e se despediu da Copa do Mundo de 2026 nas oitavas de final.
Haaland, com uma cabeçada mortal e um chute rasteiro de fora da área (79' e 90'), selou a pior participação brasileira em Mundiais desde a edição de 1990, quando a Seleção também caiu nas oitavas.
Os noruegueses vão enfrentar no próximo sábado o vencedor do duelo entre México e Inglaterra, que se enfrentam ainda neste domingo, no Estádio Azteca.
A chegada avassaladora de Haaland e companhia, marcando o retorno da Noruega à Copa do Mundo pela primeira vez desde 1998, frustrou os sonhos da geração de Vinícius Júnior e Endrick de trazer para casa um título que o Brasil não conquista desde 2002.
Neymar (90'+10), naquela que certamente foi sua última participação em Mundiais diminuiu de pênalti para a Seleção, que acabou desabando no gramado do MetLife Stadium.
Os brasileiros esperavam fazer do estádio nos arredores de Nova York, onde a final será disputada no dia 19 de julho, a sua própria casa, mas acabaram vendo a comemoração dos 'Vikings', que mantêm o tabu de nunca terem perdido para o Brasil (três vitórias norueguesas e dois empates em cinco confrontos).
- Consolo de Ancelotti -
Ao final da partida, o técnico Carlo Ancelotti foi consolar os jogadores da Seleção, especialmente Vini Jr., que desabou no gramado após o apito final.
Ao marcar duas vezes, Haaland chegou a sete gols em sua primeira Copa do Mundo e se igualou ao francês Kylian Mbappé e o argentino Lionel Messi na artilharia do torneio. Além disso, levou seu país pela primeira vez às quartas de final.
O MetLife Stadium presenciou uma partida emocionante praticamente desde o pontapé inicial, que foi precedido pelos já famosos movimentos de remada em estilo viking e pelos cânticos da torcida norueguesa.
Haaland e Martin Odegaard, que deveriam brilhar pela seleção nórdica, inicialmente cederam os holofotes para o goleiro Orjan Nyland.
- Nyland, o herói inesperado -
Nyland protegia sua meta usando tanto as pernas quanto as mãos, especialmente contra o lado esquerdo do ataque brasileiro, por onde Vinícius e Gabriel Martinelli davam trabalho à defesa nórdica.
Martinelli, que marcou o gol decisivo na vitória por 2 a 1 sobre o Japão na fase de 16-avos de final, foi a escolha de Ancelotti para substituir o lesionado Lucas Paquetá no meio-campo.
O goleiro de 35 anos defendeu chutes perigosos do atacante do Arsenal (30'), Vini (40'), Rayan (62') e salvou a Noruega em um toque para trás de seu companheiro Kristoffer Ajer (85').
Mas nenhuma defesa foi tão crucial quanto a do pênalti cobrado por Bruno Guimarães (14'), marcado após revisão do VAR por uma falta de Ajer em Matheus Cunha.
Nyland voou no canto esquerdo para parar a cobrança de Bruno, que se tornou o primeiro brasileiro a desperdiçar um pênalti com bola rolando em uma Copa do Mundo em quatro décadas.
Com o apoio da maioria dos 80.663 espectadores, o Brasil seguiu uma estratégia um tanto incomum para sua história, mas alinhado à visão de Ancelotti de que sua equipe possui "múltiplas identidades".
- Haaland decide -
A Seleção apostou em transições rápidas e contra-ataques para levar perigo aos noruegueses, que controlavam a bola à vontade e obrigaram Alisson a fazer duas boas defesas, uma cara a cara com Odegaard (45'+3) e outra finalização de Andreas Schjelderup (75').
A equipe comandada pelo ex-meio-campista Stale Solbakken, que atuou na vitória da Noruega por 2 a 1 sobre o Brasil na fase de grupos da Copa do Mundo de 1998, resistiu ao ataque brasileiro e mostrou eficiência graças a Haaland.
O gigante norueguês ofuscou a atuação de Neymar (68'), longe da forma que o consagrou como um dos melhores jogadores do mundo e provavelmente se despediu da Copa do Mundo, embora o camisa 10 tenha ampliado seu recorde como maior artilheiro da história da Seleção para 80 gols.
Marcado de perto pelos dois zagueiros nórdicos, Ney viu de longe Haaland abrir o placar de cabeça, após um cruzamento de Schjelderup, e ampliar batendo de esquerda de fora da área.
* AFP




