Se em 14 de junho de 1971 dissessem a Cândido Norberto até onde chegaria o Sala de Redação, provavelmente ele não acreditaria. Há 55 anos, numa segunda-feira, o programa fazia sua estreia na grade de programação da Gaúcha.
Neste domingo (14), a partir das 13h, o Sala celebra a data com uma edição especial, direto dos Estados Unidos, um dos anfitriões da Copa do Mundo de 2026.
Diferentemente dos anos 1970, quando era possível ouvir Cândido Norberto e os demais participantes apenas pelo rádio, entre 11h e 14h, hoje o Sala pode ser visto e ouvido de qualquer lugar do mundo, a qualquer hora e quantas vezes o ouvinte ou espectador desejar. Seja pelo FM 93.7, pelo YouTube de Gaúcha Esportes ou da Gaúcha ou pelo Spotify do Sala de Redação.
– O Sala de Redação chega aos 55 anos revigorado, com audiência crescente, sólidas parcerias comerciais e comunicadores cada vez mais conectados com o público. É um programa que se reinventa, e melhora, com o passar dos anos – diz Carlos Etchichury, gerente-executivo de Esporte da Redação Integrada.
Orgulho dos integrantes
Nesses 55 anos, o programa permeou os principais debates do Rio Grande do Sul e do Brasil. Em época de Copa, mas em 1998, a pergunta era se Zagallo havia acertado no corte de Romário. Nesta Copa, se Ancelotti errou ao levar Neymar. O Sala viu e debateu os principais títulos de Grêmio e de Inter.
— Os maiores nomes do jornalismo esportivo do Rio Grande do Sul passaram por este programa. O Sala é um patrimônio do Estado e do Brasil. Tenho muito orgulho – ressalta Pedro Ernesto Denardin, apresentador do programa, que é transmitido das 13h às 15h.
– Na minha vida, acho que só não vi uma coisa: o cara deixar de escutar o Sala de Redação. Isso é uma cachaça, é um amor, é uma relação que não acaba nunca – complementa Guerrinha, um dos mais longevos comunicadores do programa.
Como o Sala começou
A história do Sala começou quando Cândido Norberto, idealizador e apresentador do programa, pediu para que fosse instalado um posto na Redação da Zero Hora, na esquina das avenidas Ipiranga e Erico Verissimo.
Cândido passou a circular pelas mesas dos repórteres, indagando a informação que estava sendo apurada naquele exato momento. A ação fazia jus ao nome da atração. A partir dali, construiu sua história.
— Meu pai não teve a chance de me ver no Sala. E a medida de sucesso do filho, na cabeça dele, um cara simples, era estar neste programa — diz Diogo Olivier, um dos participantes atuais.
Leonardo Oliveira completa:
— Estar no Sala é estar na Seleção Brasileira do rádio. Mais do que isso, é estar jogando para todas as redações do Brasil. E isso vai te abrindo portas.
Maurício Saraiva chega a simular um diálogo para demonstrar seu orgulho pelo programa:
– Se uma pessoa me perguntar porque deve acreditar em mim, digo que é porque eu tenho mais de 10 anos de Sala de Redação.
Grêmio e Inter representados
A rivalidade da dupla Gre-Nal sempre esteve representada no Sala. Kenny Braga e Paulo Sant'Ana, Cid Pinheiro Cabral e Oswaldo Rolla, o Foguinho, Ibsen Pinheiro e Luiz Carlos Silveira Martins, o Cacalo, foram alguns dos gremistas e colorados ilustres que brilharam em embates memoráveis no programa. Hoje, a rivalidade se manifesta nas presenças de César Cidade Dias, o CCD, e Vagner Martins, o Vaguinha.
— Fazer parte do Sala é um orgulho gigantesco, sobretudo porque me aproxima da minha família, da minha cultura — comenta CCD, atual representante gremista.
Vaguinha, o atual colorado do programa, complementa:
— Confesso para vocês que eu jamais imaginei participar de um programa que eu me criei ouvindo ao lado do meu pai, dentro do carro, me levando para a escola.



