
Ceará encontrou uma nova paixão. Multicampeão por Inter, Cruzeiro e PSG, o ex-lateral hoje se dedica à corrida. O novo amor o levou a abrir mão da final da Champions League, em Budapeste, vencida pelo clube francês, no sábado (30), para disputar a Maratona de Porto Alegre.
Você não leu errado! Convidado pelo PSG para estar na Puskas Arena e assistir à decisão contra o Arsenal, Ceará torceu à distância pelo bicampeonato do torneio europeu.
Ao contrário do ano passado, quando acompanhou a goleada por 5 a 0 sobre a Inter de Milão, em Munique, desta foi a um cinema na capital gaúcha. Tudo para cumprir pela sétima vez os 42 km da prova de atletismo.
— Me identifiquei muito com o clube. Inclusive, fui convidado para ir à final, mas já tinha o compromisso com a maratona. Foi bem difícil tomar a decisão. Estive nas quartas e na semi. O coração pende para o PSG — diz.
O início da transição
A escolha mostra o quão importante virou a ligação entre Ceará e a corrida, embora recente. Mas, curiosamente, também com o PSG em pauta. Em 2023, o ex-jogador estava em Paris para acompanhar o time pelo badalado torneio europeu.
À época, o clube promoveu a primeira corrida e convidou ex-atletas a participar. Ceará foi um dos desafiados no percurso de 10 km. Realizou a preparação e cumpriu a prova em 43:50.
No retorno ao Brasil, surgiu uma nova convocação. Agora de um vizinho em Ribeirão Preto. Aceitou o convite e acabou cativado pela modalidade.
No mesmo ano, se aventurou para a maratona. Durante uma palestra em São Paulo, provocou os presentes, mas sentiu que precisava criar um desafio próprio.
— Lancei o desafio sem saber se ainda teria uma maratona no Brasil. Encontrei duas no fim do ano, em Curitiba e Brasília. Me disseram que Curitiba seria melhor devido ao clima — recorda Ceará.
Movido a desafios
Inscrito, o então futuro maratonista buscou um professor para passar orientações on-line. Foi alertado sobre a dificuldade, principalmente por não realizar o escalonamento de outras distâncias até atingir os 42 km.
A preparação foi tortuosa. Aposentado do futebol desde 2018, embora tenha parado de jogar em 2017, manteve a forma, mas um trabalho totalmente distinto do que se habituou a realizar. Até porque a corrida de longa distância exige atletas mais leves. Ceará tem 80 kg, ainda que apenas 9% de gordura corporal.
— Foi um grande aprendizado. Consegui finalizar trotando. Foi quando o futebol me ajudou. Já estava cansado e tinha de me superar. Essa mentalidade me deu força. Completei em 3h57 — lembra Ceará.
A preparação
Com o objetivo atingido, não quis mais largar. Começou com treinamentos mais regrados para participar de outras provas.
Disciplinado, acorda diariamente antes das 5h. Às 5h30 já está na academia e, uma hora e meia depois, leva a filha mais nova à escola. No fim de semana, levanta-se ainda mais cedo: 4h, para as 5h estar na pista.
A preparação começa no dia anterior, com a alimentação. Come massa por volta das 18h e dorme cerca de duas horas depois.
O ex-lateral encara cerca de 90 km de volume semanal de treino. O aplicativo que utiliza indica que realiza, em média, cerca de 2.900 km anuais, o que o faz acreditar já ter percorrido cerca de 10 mil km entre treinos e corridas.
Melhor tempo na França
Ajustou os ciclos de três a quatro meses para realizar outras provas. Porto Alegre será a sétima maratona do ex-jogador. Esta, no entanto, sem o tempo adequado. Ceará encurtou o treinamento de uma prova à outra. Em 12 de abril, correu em Paris, quando alcançou o melhor tempo até hoje: 3h14.
A prova entrou no caminho pela insistência de um amigo. Ceará estava com a família na França quando foi procurado para ver se conseguiria a inscrição na prova. Deu certo, e ele também se inscreveu.
– Coloquei Paris no meio dessa de Porto Alegre, mas não é aconselhável correr uma maratona tão próxima da outra. O corpo precisa se recuperar e depois iniciar um novo ciclo. Atropelei o processo – admite.
De olho em Boston
Apesar do período não ser o ideal, o ex-lateral mantém a motivação alta, tal qual a ambição. Espera cumprir a Maratona de Porto Alegre com um tempo abaixo de 3h10 para estar qualificado a provas mais badaladas.
– Os tempos são medidos por faixa etária. Estou com 45 e compito na de 45 a 49. É isso que estou buscando. Preciso de um ritmo de mais ou menos 13 km por hora. É bem pesado – reconhece.
Caso consiga, não se dará por satisfeito. Ceará já traçou o sonho.
– Meu desafio é baixar de três horas como amador em maratonas. Seria título para alguém que não vive disso. É algo enorme – completa.
Foco não falta. O jogador que marcou Ronaldinho em 2006 e foi fundamental para o Mundial do Inter agora trava suas batalhas contra o relógio.
Quer notícias, bastidores, vídeos e análises da Copa do Mundo?🏆Inscreva-se na newsletter exclusiva de GZH e receba tudo direto no seu e-mail 📩 Clique aqui para se cadastrar


