Com a Maratona Internacional de Porto Alegre se aproximando e milhares de corredores se preparando para encarar as ruas da Capital neste fim de semana, um detalhe deve se repetir entre os participantes: os fones de ouvido. Mas o que parece apenas uma escolha pessoal tem explicação científica. Afinal, correr ouvindo música realmente melhora o desempenho?
Segundo o professor de educação física Bruno Victor, a resposta é sim, principalmente para corredores amadores. De acordo com ele, a música pode funcionar como um estímulo importante durante os treinos, ajudando a reduzir a percepção de esforço físico.

— A música te dá um ganho de até 15%, mais ou menos, na percepção de esforço. Tu está fazendo um esforço e não percebe, não se sente tão cansado. Ela retarda a sensação de cansaço e da dor que o treino causa.
Na prática, isso significa que o corredor consegue suportar melhor o desconforto do exercício, mantendo a motivação durante mais tempo. Por isso, para quem corre por lazer, saúde ou desafio pessoal, ouvir música pode ser uma estratégia eficiente para enfrentar treinos longos e repetitivos.
— Se o treino tá chato, se tem bastante coisa pra fazer e tu não tá afim, coloca a musiquinha e vai correr — brinca o professor.
Som e desempenho
O uso de fones de ouvido é permitido para atletas amadores, e bastante comum em provas de longa distância. Mas quando o assunto é esporte de alto rendimento, as regras mudam.
Segundo o professor, atletas profissionais não podem competir utilizando fones de ouvido justamente porque a música pode representar uma vantagem competitiva. Além disso, existe a preocupação com a possibilidade de comunicação externa durante a prova.
— Essa é uma das razões porque a música e o fone de ouvido são proibidos para atletas profissionais. Além desse ganho, o fone pode ser usado como comunicação com treinador ou algum fator externo.
A explicação do professor vai ao encontro das regras adotadas por federações de atletismo e organizações de provas oficiais. Os regulamentos proíbem que corredores de elite e atletas que disputam o pódio geral utilizem fones de ouvido durante as competições, tanto por questões de segurança quanto para evitar vantagens competitivas e comunicações externas ao longo da prova.
Mesmo para amadores, no entanto, o uso da música exige atenção. Isso porque o ritmo das canções pode influenciar diretamente a intensidade do treino. Músicas mais agitadas tendem a acelerar o corredor, o que nem sempre é positivo.
— Às vezes o treino pede um ritmo mais lento e daqui a pouco tu coloca uma música com batimentos muito rápidos. A pessoa acaba se empolgando e fazendo um treino mais forte do que deveria.
Ainda assim, para muitos praticantes, a música segue sendo uma aliada importante durante a corrida. Seja para aliviar o desgaste físico, manter a concentração ou tornar o treino mais agradável, ela acabou ganhando espaço entre corredores de diferentes níveis.
E talvez a definição mais simples tenha vindo do próprio professor:
— É um doping natural.
* Com orientação e supervisão de Nicholas Lyra




